Trabalho presencial: escritórios engessados bloqueiam agilidade e comprometem crescimento
Por Renato Auriemo, engenheiro civil e fundador da CO.W. Coworking*
O modelo e a forma de gestão do espaço de trabalho deixaram de ser apenas uma decisão operacional ou imobiliária. Hoje, o escritório ocupa um lugar central na governança corporativa porque afeta diretamente a atração e retenção de talentos, a eficiência operacional, a competitividade financeira e a capacidade de adaptação das empresas. Para médias empresas, essa transformação é ainda mais evidente. Em um estágio em que a estrutura precisa sustentar crescimento, cultura, produtividade e agilidade ao mesmo tempo, o espaço físico deixou de ser coadjuvante e passou a influenciar concretamente o desempenho do negócio.
Em um mercado cada vez mais dinâmico, no qual a tecnologia altera a rotina de trabalho, os fluxos internos e a relação com clientes em velocidade crescente, responder rapidamente às mudanças deixou de ser um diferencial e passou a ser requisito básico. Nesse contexto, adaptar o espaço físico com agilidade já não é uma questão de conforto: é uma condição de competitividade. Para empresas médias, que vivem ciclos recorrentes de expansão, amadurecimento de equipe, reorganização interna e abertura de novas frentes, contar com ambientes flexíveis — especialmente salas de 6 a 15 posições — significa ter uma estrutura mais aderente à realidade do negócio, sem carregar a rigidez dos modelos tradicionais.
Mas flexibilidade, sozinha, não resolve. O que ganha relevância agora é a flexibilidade com gestão, combinada a previsibilidade, leitura de uso e controle. Dados de ocupação e informações sobre a utilização real dos espaços passaram a ser ferramentas decisivas para escolhas mais eficientes. Empresas competitivas não são apenas aquelas que oferecem um ambiente agradável, mas as que entendem como seus times usam esse ambiente, quais formatos fazem sentido para a operação e como o espaço pode acompanhar o ritmo da organização sem gerar ociosidade, desperdício ou travas desnecessárias.
Esse ponto pesa ainda mais para médias empresas porque elas já exigem mais integração entre áreas, mais consistência na experiência do time e mais estrutura para absorver crescimento, mas continuam precisando preservar mobilidade e racionalidade de custo. Quando o espaço não acompanha a dinâmica do negócio, o prejuízo vai muito além do aluguel. A empresa passa a conviver com áreas subutilizadas, mudanças emergenciais, dificuldade de ajuste, energia gerencial desviada para problemas operacionais e perda de foco da liderança. Em vez de apoiar a expansão, o escritório começa a atrapalhar.
Não por acaso, a discussão sobre flexibilidade e qualidade do ambiente de trabalho ganhou peso na agenda corporativa. Um estudo da JLL mostrou que 72% das empresas na América Latina já adotam modelo híbrido, e no Brasil esse índice chega a 86%, o que reforça como a demanda por estruturas mais adaptáveis deixou de ser periférica e passou a refletir a forma real como as empresas operam hoje. Nesse cenário, insistir em uma lógica engessada de ocupação é ignorar a própria reorganização do trabalho contemporâneo.
Há ainda um componente estratégico que vai além da metragem, da sala privativa ou do valor mensal do contrato. Interagir com outras empresas, desenvolver conexões, criar parcerias e operar em ambientes que favoreçam troca e colaboração passou a ter valor concreto para negócios em crescimento. Para muitas médias empresas, o espaço ideal não é apenas o que acomoda bem a equipe, mas o que também amplia repertório, aproxima ecossistemas e se molda às necessidades da operação de forma inteligente. O ambiente físico, nesse caso, deixa de ser apenas sede e passa a funcionar como plataforma de desenvolvimento.
É por isso que o debate sobre escritórios precisa sair de vez da lógica restrita do metro quadrado e entrar definitivamente na agenda de gestão. O custo real do espaço corporativo não está apenas no contrato, mas também no tempo de ajuste, na energia consumida pela operação, na capacidade de acomodar mudanças e no impacto sobre cultura, produtividade e retenção. Flexibilidade não é uma tendência estética, tampouco uma concessão passageira. Para médias empresas, ela é uma resposta concreta à forma como os negócios passaram a operar: com mais velocidade, mais pressão por eficiência e menos margem para estruturas que geram fricção. O escritório do presente não é apenas o lugar onde a equipe trabalha. É uma peça estratégica da operação, da cultura e da competitividade.
*Renato Auriemo é engenheiro civil, especialista em administração e sócio-fundador da CO.W. Coworking. Transformou sua experiência inicial em construtoras de alto padrão na criação de espaços de trabalho compartilhados focados em produtividade, conforto e integração entre vida pessoal e profissional.
