Nove temas históricos e da atualidade que podem cair no Enem 2026

Nove temas históricos e da atualidade que podem cair no Enem 2026

Professores de História e Geografia apontam os assuntos com maior potencial para aparecer na prova

O início do segundo semestre marca uma nova etapa na preparação de quem vai prestar o Enem 2026. Como o exame costuma relacionar conteúdos históricos, geográficos e sociais a debates contemporâneos, especialistas apontam alguns temas com maior potencial de aparecer na edição deste ano. Entre eles, a ascensão da China no cenário internacional, as transformações provocadas pela inteligência artificial no mercado de trabalho e os impactos das mudanças climáticas na sociedade.

“É importante que o estudante compreenda os processos e consiga relacioná-los aos desafios do século XXI”, explica o professor de História do Vila Olímpia Bilingual School, de Florianópolis (SC), Tales Kamigouchi. Já Rafael Tavares, professor de História do Passo Certo Bilingual School, de Cascavel (PR), pede atenção para temas nacionais e regionais, como a Era Vargas e a escravidão.

Na Geografia, o foco deve permanecer nas transformações econômicas, ambientais e demográficas. “A prova costuma trabalhar esses temas ligados à globalização e às questões ambientais, sempre associando os fenômenos ao cotidiano dos estudantes”, afirma Dionício Kunze, professor de Geografia do Colégio Positivo – Joinville (SC).

Confira os nove temas apontados pelos especialistas como fortes candidatos para aparecer no Enem 2026.

1. A ascensão da China e as disputas pela hegemonia mundial

Depois de sofrer intensa intervenção das potências europeias e japonesas durante o chamado “Século da Humilhação”, entre 1839 e 1949, a China passou por profundas transformações até se tornar uma das principais potências econômicas, tecnológicas e industriais do mundo. Para o professor Kamigouchi, o Enem pode explorar justamente essa relação entre o imperialismo do século XIX e o protagonismo chinês no século XXI. “É importante compreender como a China passou de uma posição de submissão às potências ocidentais para ocupar papel central na economia global”, afirma.

2. Os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial

Em 2025, o mundo relembrou os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, conflito que redefiniu a ordem internacional e influenciou a criação de organismos multilaterais, além de fortalecer o debate sobre direitos humanos. Para Tavares, o tema permanece extremamente relevante. “Por ser um conteúdo recorrente no Enem, a Segunda Guerra ajuda a compreender o nazifascismo, a Guerra Fria e a organização política do mundo contemporâneo”, evidencia.

3. Globalização e as mudanças no mundo do trabalho

As transformações provocadas pela globalização, pela automação industrial e pelo avanço da inteligência artificial devem continuar entre os assuntos mais relevantes da Geografia. O professor Kunze, do Colégio Positivo — Joinville, destaca que o Enem costuma abordar a Divisão Internacional do Trabalho, o surgimento de novas profissões ligadas à tecnologia, além do desemprego estrutural e das mudanças nas relações de trabalho. “São temas diretamente conectados às transformações econômicas vividas atualmente”, reforça.

4. Era Vargas e a formação do Estado brasileiro

Entre 1930 e 1945, Getúlio Vargas promoveu profundas mudanças na organização política e econômica do país, ampliando a atuação do Estado e consolidando importantes leis trabalhistas. Para Tavares, o período segue relevante para os vestibulares por dialogar com discussões ainda presentes na sociedade. “Os debates atuais sobre direitos trabalhistas, papel do Estado e desenvolvimento econômico frequentemente remetem às transformações iniciadas durante a Era Vargas”, resume

5. A influência dos EUA no continente americano

A Doutrina Monroe e a política do Big Stick continuam sendo referências importantes para compreender a atuação histórica dos Estados Unidos no continente americano. De acordo com o professor Kamigouchi, do Vila Olímpia Bilingual School, o Enem pode relacionar essas políticas imperialistas às discussões atuais sobre influência política, econômica e militar norte-americana na América Latina, estabelecendo comparações entre o contexto histórico e os desdobramentos geopolíticos contemporâneos.

6. Dinâmicas demográficas e migrações

O envelhecimento da população brasileira, a redução da taxa de fecundidade e os fluxos migratórios contemporâneos também aparecem entre os assuntos de destaque. O professor Kunze defende que a prova pode explorar tanto as migrações internacionais motivadas por crises econômicas e conflitos quanto a migração de retorno e os impactos da transição demográfica na economia e nas políticas públicas. “É um tema bastante atual e frequentemente associado às transformações sociais observadas no Brasil e no mundo”, pondera.

7. Participação feminina nas Forças Armadas

A promoção da primeira mulher ao posto de General de Brigada do Exército Brasileiro, em 2026, reforçou o debate sobre a presença feminina nas instituições militares. O tema pode ser associado à trajetória de Maria Quitéria, considerada patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro e uma das protagonistas da luta pela Independência na Bahia. “A evolução da participação das mulheres na vida pública costuma aparecer relacionada às discussões sobre cidadania, igualdade de gênero e direitos”, detalha Kamigouchi.

8. Impactos ambientais e mudanças climáticas

Fenômenos como El Niño e La Niña, além dos efeitos da degradação ambiental nas áreas urbanas e rurais, seguem entre as principais apostas para a prova. As questões podem abordar enchentes, ilhas de calor, impermeabilização do solo, uso de agroquímicos, desmatamento e os desafios impostos pelas mudanças climáticas. “As questões de Geografia costumam relacionar esses temas às políticas públicas e ao desenvolvimento sustentável”, explica Kunze.

9. Racismo e as heranças da escravidão

A escravidão africana e seus impactos sociais continuam sendo temas frequentes no Enem. As discussões sobre desigualdade racial, ações afirmativas e cidadania costumam ser relacionadas ao período pós-abolição e às permanências históricas do racismo estrutural. “Entender como esse passado influencia a sociedade atual é essencial para interpretar questões que abordam direitos humanos e desigualdades sociais”, finaliza o professor Tavares.

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