Quatro em cada dez adolescentes não têm uma ideia clara da carreira que querem seguir
Relatório da OCDE aponta incerteza profissional entre jovens e destaca a importância de ampliar o contato com diferentes profissões antes da escolha da faculdade
Escolher uma faculdade pode ser difícil quando o adolescente ainda conhece poucas profissões, não sabe quais cursos combinam com seus interesses ou sente que precisa definir o futuro antes de terminar o ensino médio. A dúvida não é incomum: um relatório publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em maio de 2025, aponta que 39% dos estudantes de 15 anos nos países analisados não têm expectativas profissionais claras.
De acordo com Vanessa Moschetti, fundadora e diretora do St. John’s International School, a escolha profissional precisa ser precedida por um processo de exploração. Conhecer os próprios interesses é importante, mas não suficiente. O adolescente também precisa pesquisar cursos, conversar com profissionais e entender como as diferentes carreiras funcionam na prática. Sem essas referências, a decisão pode acabar baseada em estereótipos, expectativas familiares ou informações incompletas.
O relatório The State of Global Teenage Career Preparation, da OCDE, analisou dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) de 2022 e outras pesquisas sobre a preparação profissional dos jovens. Além da incerteza sobre as carreiras, o documento destaca que muitos estudantes têm pouco contato com atividades de orientação profissional e experiências que os aproximem do mundo do trabalho.
“A organização também aponta que determinadas experiências durante a adolescência, como visitar locais de trabalho, conversar sobre carreiras com profissionais e participar de feiras de profissões, estão associadas a melhores resultados profissionais na vida adulta. Isso não significa que essas atividades garantam uma escolha acertada, mas indica que o contato com diferentes possibilidades pode contribuir para uma transição mais bem informada entre escola e trabalho”, explica a diretora.
Como ajudar o adolescente a escolher uma faculdade
Ampliar o repertório: pesquisar profissões que vão além das mais conhecidas e explorar áreas que o jovem ainda não considera.
Conhecer os cursos por dentro: comparar grades curriculares, disciplinas, duração e possibilidades de formação antes de escolher.
Conversar com profissionais: perguntar sobre a rotina, os desafios, as competências necessárias e os diferentes caminhos de atuação.
Investigar o mercado de trabalho: buscar informações sobre áreas de atuação e requisitos profissionais, sem tomar previsões atuais como garantias para o futuro.
Separar expectativas próprias e externas: considerar as opiniões da família, mas permitir que o adolescente desenvolva seus próprios critérios.
Tratar a escolha como um processo: entender que dúvidas e mudanças de planos podem fazer parte do amadurecimento profissional.
A família pode ajudar o adolescente a avaliar suas opções sem exigir que ele tenha uma resposta definitiva de imediato. Conversar sobre interesses, pesquisar cursos juntos e buscar oportunidades para conhecer diferentes profissões são formas de participar dessa escolha sem impor expectativas. “Quando as escolhas são feitas apenas para atender às expectativas dos outros, existe o risco de deixar de lado talentos, interesses e sonhos que poderiam dar origem a caminhos muito diferentes. Por isso, tão importante quanto ajudar os jovens a escolher uma profissão é dar a eles espaço para descobrir o que realmente desejam construir para o futuro”, complementa Vanessa.
“No ensino médio, a escola também pode aproximar os estudantes do universo profissional. Encontros com profissionais, visitas às universidades e atividades que relacionem as disciplinas escolares a diferentes carreiras ajudam os jovens a conhecer possibilidades que talvez ainda não façam parte de seu repertório”, complementa Moschetti. Para a educadora, o objetivo não é encontrar uma profissão que elimine todas as incertezas, mas ajudar o adolescente a tomar uma decisão mais consciente, com informações suficientes para avaliar as opções disponíveis e compreender os motivos de sua escolha.
Sobre a St. John’s
Com 20 anos de trajetória no Brasil, a St. John’s é referência em educação internacional trilíngue, com alunos de 18 meses a 17 anos. A instituição desenvolve metodologia própria com base em padrões acadêmicos britânicos e prepara estudantes para universidades e carreiras globais, aliando rigor acadêmico, formação humanista e visão internacional.
Vanessa Moschetti fundadora e diretora da escola, é graduada em Direito, Pedagogia e Linguística, mestre em Educação Internacional, com extensão em Literatura Britânica. Possui certificações internacionais em língua inglesa, é examinadora licenciada e especialista em desenvolvimento curricular. Ela é a idealizadora do desenvolvimento do IELS (International English Learning System), um modelo educacional estruturado internacionalmente, criado na Inglaterra e aplicado globalmente. Com forte foco em educação internacional, liderança e inovação, ela lidera a expansão de um modelo acadêmico sistêmico e trilíngue que integra os currículos do IB, de Cambridge e do Poliedro (nacional).
