Gentileza aproxima e transforma
Dia Mundial da Gentileza, celebrado em 13 de novembro, convida a resgatar a atenção, a escuta e o cuidado nas relações cotidianas
Guardar o celular para ouvir alguém, agradecer por um cuidado recebido ou perguntar a um colega como ele está e esperar pela resposta. Pequenos gestos podem abrir espaço para relações mais acolhedoras em meio à correria. Celebrado em 13 de novembro, o Dia Mundial da Gentileza propõe um olhar para essas atitudes que cabem na rotina e ajudam a comunicar algo essencial: a presença do outro importa.
A importância dos vínculos ganhou destaque em relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde em 2025, que estima que uma em cada seis pessoas no mundo seja afetada pela solidão. Entre as atitudes recomendadas pela entidade para favorecer a conexão social estão cumprimentar um vizinho, procurar um amigo e estar presente durante uma conversa. Para Renê Skaraboto, neurocientista e hipnoterapeuta do Instituto e Clínica Hipnose para Todos, em Curitiba, a gentileza oferece oportunidades diárias de aproximação. “Às vezes, não sabemos o peso que alguém está carregando. Uma escuta sem pressa ou uma ajuda respeitosa pode fazer essa pessoa se sentir percebida e acolhida”, afirma.
A ciência também investiga o alcance dessas atitudes. Um estudo publicado na revista Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, em edição de 2025, reuniu 4.284 adultos nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Austrália. Os participantes do grupo de intervenção foram convidados a realizar pelo menos um ato de gentileza por semana durante quatro semanas. Houve uma pequena redução da solidão nos grupos dos Estados Unidos e do Reino Unido, mas esse efeito não foi observado na Austrália. Os resultados indicam potencial para fortalecer conexões, sem significar que um gesto isolado resolva dificuldades emocionais complexas.
Na vida cotidiana, a proposta pode começar dentro de casa, com um agradecimento por tarefas que costumam passar despercebidas, e chegar ao trabalho, com uma orientação paciente a quem está aprendendo. Também aparece na maneira de tratar quem atende no comércio, de responder a uma dúvida ou de respeitar o tempo de uma pessoa idosa. “A gentileza ganha força quando deixa de ser uma atitude reservada às ocasiões especiais. Reconhecer o esforço de alguém e tratar as pessoas com consideração são formas simples de cuidar das relações”, observa Skaraboto.
Ouvir com atenção é uma dessas possibilidades. Em vez de preparar uma resposta enquanto o outro fala, o exercício é tentar compreender o que ele deseja compartilhar. Perguntar se a pessoa quer uma opinião ou apenas companhia também pode tornar o encontro mais acolhedor. “Nem sempre temos uma solução para oferecer, mas podemos oferecer presença. Há momentos em que a pessoa precisa conseguir terminar uma frase e perceber que alguém se interessou pelo que ela está vivendo”, explica.
Esse cuidado inclui o respeito aos próprios limites. Ser gentil não exige aceitar humilhações, concordar com tudo ou assumir responsabilidades que não se consegue cumprir. Também não garante que a outra pessoa responderá da mesma forma. “É possível dizer não com respeito e encerrar uma conversa ofensiva sem abrir mão dos próprios valores. A gentileza precisa incluir quem a pratica, para que o cuidado com o outro não se transforme em abandono de si”, ressalta.
Em Curitiba, quem deseja ampliar esse cuidado para a comunidade pode conhecer o programa FAS o Bem, da Fundação de Ação Social. A iniciativa recebe inscrições de pessoas maiores de 18 anos interessadas em atividades voluntárias, conforme seus interesses e a disponibilidade de vagas nas unidades. É uma possibilidade de transformar disposição para ajudar em participação organizada, somando tempo e habilidades às ações de assistência social da cidade.
Para o Dia Mundial da Gentileza, Skaraboto sugere escolher uma atitude possível e dar continuidade a ela depois da data: retomar contato com alguém querido, reconhecer uma contribuição ou oferecer ajuda perguntando primeiro do que a pessoa precisa. “Não precisamos esperar uma grande oportunidade para fazer diferença. Uma conversa pode começar com um cumprimento, uma aproximação pode nascer de um agradecimento. Quando a gentileza encontra espaço na rotina, criamos mais oportunidades de viver encontros que fazem bem”, conclui.
Serviço:
Instituto e Clínica Hipnose para Todos
Renê Skaraboto
Neurocientista e hipnoterapeuta
(41) 99692-9774
@hipnose_para_todos
http://www.clinicahipnoseparatodos.com.br
Rua Desembargador Westphalen, 15, sala 604, 6º andar, Edifício Dante Aliguieri, Centro, Curitiba/PR.
