Doar sangue: um gesto simples que salva vidas

Doar sangue: um gesto simples que salva vidas

Durante o inverno existe uma baixa nas doações e especialista reforça a importância do ato

No dia 14 de junho o mundo celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue, uma data criada para reconhecer a importância dos milhões de doadores voluntários que ajudam a salvar vidas diariamente. A campanha foi realizada pela primeira vez em 2004 e, desde 2005, integra oficialmente o calendário da Organização Mundial da Saúde, reforçando a necessidade de manter estoques seguros e suficientes de sangue em todo o mundo.

A data ganha ainda mais relevância neste período do ano já que com a chegada das temperaturas mais baixas é comum ocorrer uma redução no número de doações. “O frio faz com que muitas pessoas adiem suas visitas aos hemocentros, enquanto o aumento das doenças respiratórias também contribui para afastar temporariamente os potenciais doadores. O resultado é preocupante, pois os estoques diminuem justamente quando a necessidade de sangue continua existindo”, explica a enfermeira Cissa Cardoso, professora do curso de Enfermagem da Estácio.

A especialista ressalta ainda que acidentes, cirurgias, tratamentos oncológicos, partos de risco e diversas outras situações não esperam o clima melhorar. “A demanda por sangue permanece constante durante todo o ano. Uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas, já que o sangue coletado é separado em diferentes componentes, como hemácias, plasma e plaquetas. Isso significa que poucos minutos dedicados à doação podem representar a oportunidade de tratamento e recuperação para múltiplos pacientes”.

A escolha do dia 14 de junho não foi por acaso. É uma homenagem a Karl Landsteiner, cientista responsável pela descoberta dos grupos sanguíneos ABO, um dos avanços mais importantes da história da medicina e das transfusões sanguíneas. “Embora a tecnologia tenha avançado significativamente nas últimas décadas, ainda não existe um substituto capaz de reproduzir todas as funções do sangue humano. Por isso, hospitais, maternidades, centros cirúrgicos, unidades de terapia intensiva e serviços de emergência dependem exclusivamente da solidariedade dos doadores para atender às necessidades dos pacientes”, aponta a enfermeira Cissa.

Segundo ela, o Brasil possui uma rede de hemocentros reconhecida internacionalmente, mas a manutenção dos estoques depende diretamente da participação da população. Por isso, o Dia Mundial do Doador de Sangue é também um chamado à responsabilidade coletiva.

“Doar sangue é um ato simples, seguro, rápido e capaz de transformar histórias. Em tempos nos quais tantas notícias evidenciam divisões e conflitos, a doação de sangue nos recorda de algo essencial: a vida humana continua sendo um patrimônio compartilhado. Quando alguém estende o braço para doar, oferece muito mais do que sangue. Oferece esperança, cuidado e a possibilidade de um novo amanhã para quem precisa. Então, neste inverno, antes de adiar sua doação, lembre-se: o frio pode esperar. Quem precisa de sangue, não”, Cissa deixa o chamado.

Os requisitos básicos para doar sangue são:

  • Estar bem de saúde.
  • Ter mais de 18 e menos de 60 anos (acima de 60 e entre 16 e 18 anos há critérios especiais).
  • Pesar mais que 50 kg.
  • Homens não podem doar sangue 2 vezes em um espaço menor que 60 dias, respeitando o limite máximo de 4 doações por ano.
  • Mulheres não podem doar sangue 2 vezes em um espaço menor que 90 dias, respeitando o limite máximo de 3 doações por ano.
  • Mulheres não podem estar grávidas, nem amamentando.
  • Mulheres não podem ter tido um aborto ou parto há menos de 3 meses.

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