Fibromialgia: síndrome ainda enfrenta desinformação e desafios no diagnóstico

Fibromialgia: síndrome ainda enfrenta desinformação e desafios no diagnóstico

Especialista reforça a importância do diagnóstico precoce e tratamento multidisciplinar da síndrome que afeta 3% da população e tem impactos de dor e limitação física na rotina dos pacientes

Dor crônica pelo corpo, fadiga intensa, alterações no sono e dificuldade de concentração. Esses são alguns dos sintomas enfrentados por pessoas com fibromialgia, síndrome que afeta cerca de 3% da população brasileira, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Mesmo relativamente comum, a doença ainda enfrenta desafios relacionados ao diagnóstico e à desinformação, o que pode atrasar o início do tratamento e comprometer o bem-estar dos pacientes.

Além da dificuldade de reconhecimento, especialistas alertam que o diagnóstico da fibromialgia costuma levar anos para ser concluído. Embora os critérios clínicos indiquem que os sintomas devem persistir por pelo menos três meses para que a hipótese diagnóstica seja considerada, muitos pacientes passam cerca de quatro anos em busca de respostas até receberem a confirmação da síndrome, período marcado por consultas frequentes, dúvidas e impactos na qualidade de vida.

A fibromialgia é caracterizada principalmente por dores musculoesqueléticas generalizadas e persistentes, frequentemente acompanhadas de sintomas como cansaço excessivo, distúrbios do sono, ansiedade, depressão e dificuldades cognitivas, conhecidas popularmente como “névoa mental”. Como não existem exames laboratoriais específicos para confirmar a doença, a identificação da fibromialgia depende de avaliação médica detalhada e análise dos sintomas apresentados pelo paciente.

“O grande desafio da fibromialgia é justamente o reconhecimento da doença. Muitos pacientes passam anos em busca de atendimento até receberem um diagnóstico correto, porque os sintomas podem ser confundidos com outras condições”, explica o reumatologista Levi Higino Jales Neto, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Embora as causas da síndrome ainda não sejam totalmente conhecidas, estudos indicam que a fibromialgia está associada a alterações na forma como o sistema nervoso central processa a dor. Fatores emocionais, predisposição genética e distúrbios do sono também podem contribuir para o desenvolvimento da condição.

Além das dores e limitações físicas, o especialista alerta que a fibromialgia também pode provocar impactos significativos nas relações sociais, na vida profissional e na saúde mental. Como os sintomas nem sempre são perceptíveis, muitos pacientes enfrentam dificuldades para que suas dores sejam compreendidas no ambiente familiar e de trabalho.

“A fibromialgia pode provocar impactos profundos no dia a dia dos pacientes e, muitas vezes, os sintomas demoram a ser associados à doença. Sem o acompanhamento adequado, a condição pode comprometer o desempenho profissional e acadêmico, além de afetar a saúde mental”, afirma Higino.

Direitos sociais: Lei inclui pessoas com fibromialgia como PCD

Considerando essas limitações devido à síndrome e combater o estigma enfrentado por muitos pacientes no trabalho, a doença crônica também passou a integrar o debate sobre direitos sociais. Por meio da Lei nº 15.176/2025 pacientes com fibromialgia passam a ser classificados como Pessoas com Deficiência (PcD), garantindo acesso a direitos sociais e políticas públicas específicas.

O tratamento da fibromialgia é multidisciplinar e envolve estratégias para controle da dor e redução dos impactos da doença no cotidiano. Entre as recomendações estão a prática de atividade física orientada, fisioterapia, acompanhamento psicológico, melhora da qualidade do sono e, em alguns casos, uso de medicamentos. 

Segundo o especialista, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar o agravamento dos sintomas e preservar a funcionalidade dos pacientes. “Informação e acolhimento também fazem parte do tratamento. Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores são as chances de controle dos sintomas e melhora da qualidade de vida”, reforça.

Sobre a Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo

No Brasil desde 1922, a São Camilo pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, fundada por São Camilo de Lellis. Além de hospitais, conta com Centros de Educação Infantil, Colégios e Centros Universitários. 

As Unidades Pompeia, Santana e Ipiranga fazem parte da Rede de Hospitais de São Paulo, que prestam atendimentos em mais de 60 especialidades e cirurgias de alta complexidade em neurologia, cardiologia, transplantes de fígado e musculoesquelético, cirurgias robótica e bariátrica. Por meio da atuação filantrópica, apoiam na manutenção das atividades de vários Hospitais administrados pela São Camilo no Brasil com atendimento ao SUS. 

A Rede de Hospital São Camilo de São Paulo possui Centro de Oncologia e de Hematologia (Transplantes de Medula Óssea) e tratamento com CAR-T-CELL. Referência em urgência e emergência conta com PS Adulto, Infantil e 60+. Possui a Certificação em nível Diamante da Qmentum Internacional, o Selo Amigo do Idoso e as Certificações PALC e ABHH.

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