Junho Vermelho alerta para queda nos estoques de sangue durante o inverno
Temperaturas mais baixas reduzem comparecimento de doadores e aumentam preocupação dos hemocentros
Com a chegada do inverno e o aumento dos casos de doenças respiratórias, os hemocentros brasileiros voltam a enfrentar um dos períodos mais delicados do ano para a manutenção dos estoques de sangue. A combinação entre baixas temperaturas, aumento dos casos gripais e redução no comparecimento de doadores costumam pressionar os bancos de sangue em um período de alta demanda hospitalar, com necessidade contínua de transfusões, cirurgias e atendimentos de urgência e emergência.
O alerta ganha ainda mais relevância durante o Junho Vermelho, campanha nacional voltada à conscientização sobre a importância da doação de sangue. A iniciativa busca incentivar doações regulares e evitar a queda nos estoques dos hemocentros, situação frequente durante os meses mais frios do ano.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou 831.518 coletas de sangue até maio de 2025. Apesar do volume, os hemocentros ainda enfrentam dificuldades para manter os estoques em níveis seguros ao longo do ano, principalmente em períodos de baixa adesão às campanhas de doação. No mesmo período, o número de transfusões cresceu 2,9%, passando de 3,08 milhões para 3,17 milhões, o que reforça a necessidade de doações regulares para atender à demanda hospitalar. Cada bolsa de sangue coletada pode beneficiar até quatro pacientes.
Segundo o hematologista Dr. Roberto Luiz da Silva, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o inverno historicamente registra queda significativa no comparecimento aos pontos de coleta, o que impacta diretamente a reposição dos estoques de sangue. O cenário preocupa especialmente pela manutenção da demanda hospitalar para cirurgias, tratamentos contínuos, atendimentos de emergência e pacientes com doenças hematológicas.
Além das condições climáticas, fatores como gripes, resfriados, viagens durante feriados prolongados e afastamento temporário de candidatos aptos à doação também contribuem para a redução nas coletas. Em algumas regiões do país, campanhas de reforço são intensificadas entre junho e julho, período em que os estoques podem operar até 30% abaixo do nível considerado ideal.
“O inverno costuma concentrar uma queda importante no número de doadores em um momento de demanda contínua nos hospitais. A manutenção dos estoques depende de doações regulares ao longo de todo o ano para evitar situações críticas de abastecimento”, afirma o Dr. Roberto Luiz da Silva.
O especialista destaca que muitas pessoas ainda associam a doação de sangue apenas a situações emergenciais, quando, na prática, os hemocentros dependem diariamente das bolsas coletadas para manter cirurgias, tratamentos e atendimentos funcionando normalmente. “Como o sangue possui prazo de validade e não pode ser produzido artificialmente, a reposição precisa acontecer de forma contínua. A doação regular é fundamental para manter os estoques em níveis seguros e garantir o atendimento aos pacientes”, explica.
Além da importância coletiva, especialistas reforçam que o processo de doação é seguro, rápido e realizado sob protocolos rigorosos de triagem e controle sanitário. Para doar, é necessário estar em boas condições de saúde, alimentado, descansado e apresentar documento oficial com foto.
Entre os impedimentos temporários estão sintomas gripais, febre, uso recente de alguns medicamentos, procedimentos cirúrgicos e vacinação em determinados períodos. A recomendação é consultar previamente os critérios exigidos pelos hemocentros antes de comparecer aos pontos de coleta. “O sangue é um recurso essencial e não possui substituto. Cada doação contribui diretamente para a continuidade de tratamentos e pode representar a diferença em situações críticas de atendimento”, completa Dr. Roberto Luiz da Silva.
Durante o Junho Vermelho, a campanha reforça a importância da doação regular de sangue diante da queda sazonal nos estoques e dos desafios enfrentados pelos hemocentros nos meses mais frios do ano.
Sobre a Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo
No Brasil desde 1922, a São Camilo pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, fundada por São Camilo de Lellis. Além de hospitais, conta com Centros de Educação Infantil, Colégios e Centros Universitários.
As Unidades Pompeia, Santana e Ipiranga fazem parte da Rede de Hospitais de São Paulo, que prestam atendimentos em mais de 60 especialidades e cirurgias de alta complexidade em neurologia, cardiologia, transplantes de fígado e musculoesquelético, cirurgias robótica e bariátrica. Por meio da atuação filantrópica, apoiam na manutenção das atividades de vários Hospitais administrados pela São Camilo no Brasil com atendimento ao SUS.
A Rede de Hospital São Camilo de São Paulo possui Centro de Oncologia e de Hematologia (Transplantes de Medula Óssea) e tratamento com CAR-T-CELL. Referência em urgência e emergência conta com PS Adulto, Infantil e 60+. Possui a Certificação em nível Diamante da Qmentum Internacional, o Selo Amigo do Idoso e as Certificações PALC e ABHH.
