Mulheres vencem mais processos na Justiça, mas homens lideram acordos, aponta levantamento inédito

Mulheres vencem mais processos na Justiça, mas homens lideram acordos, aponta levantamento inédito

Estudo com mais de 29 mil processos revela diferença de comportamento e resultado entre gêneros no Judiciário brasileiro

Um levantamento exclusivo realizado pela EasyJur, software jurídico especializado em gestão processual, revela diferenças relevantes entre homens e mulheres no desempenho dentro da Justiça brasileira. Com base na análise de 29.080 processos encerrados com identificação de gênero, mulheres apresentam maior taxa de procedência, com 31,8% das ações julgadas favoráveis, enquanto os homens registram 28,1%. Por outro lado, eles lideram a formalização de acordos, com 17,7% dos casos, ante 16,8% do público feminino.

A análise foi feita a partir de uma base interna de aproximadamente 2 milhões de processos históricos da plataforma, considerando apenas ações finalizadas e com classificação de resultado definida. Segundo a EasyJur, empresa de tecnologia jurídica que atende escritórios em todo o país, o recorte representa cerca de 1,4% da base total e traz um retrato consistente do comportamento processual entre os gêneros .

Segundo Vinicius Marques, CEO da EasyJur, o estudo ajuda a desmistificar interpretações superficiais sobre desempenho no Judiciário. “Os dados mostram que não existe uma vantagem estrutural de gênero na Justiça. O que existe é uma diferença clara no perfil das ações movidas. Mulheres tendem a ingressar com processos mais bem fundamentados em direitos consolidados, o que naturalmente aumenta a taxa de sucesso. Já os homens aparecem com maior volume em áreas mais voláteis, o que impacta o resultado final”, explica.

Além da taxa de sucesso superior, o levantamento também aponta que, apesar de representarem menor volume total de processos, as mulheres obtêm valores médios financeiros mais altos tanto em decisões procedentes quanto em acordos celebrados. A explicação, segundo a análise técnica do estudo, está no perfil das ações. O público feminino concentra maior atuação em áreas com maior taxa histórica de procedência, como Família e Sucessões e Direito Previdenciário, onde o direito pleiteado costuma estar mais consolidado.

O tema ganha importância em um momento em que o Judiciário brasileiro enfrenta crescente volume de processos e pressão por eficiência. Segundo o relatório “Justiça em Números 2025”, do Conselho Nacional de Justiça, o país ultrapassa a marca de 80 milhões de processos em tramitação, o que intensifica a necessidade de entender padrões de comportamento e eficiência dentro do sistema. Esse cenário também impulsiona o uso de tecnologia jurídica para análise de dados e tomada de decisão estratégica por advogados e escritórios.

A leitura segmentada por área do Direito reforça que o desempenho varia conforme o tipo de ação. No Direito Imobiliário, por exemplo, mulheres registram taxa de procedência de 40,6%, superior aos 32,6% dos homens. Já na área Administrativa, o cenário se inverte, com homens alcançando 58,5% de procedência contra 33,8% das mulheres. Nos acordos, há maior equilíbrio, com pequenas variações dependendo da especialidade jurídica.

Para o executivo, o avanço da análise de dados no Direito deve transformar a forma como estratégias jurídicas são construídas nos próximos anos. “O Judiciário brasileiro é extremamente complexo e cada decisão carrega um contexto específico. Quando conseguimos transformar esse histórico em inteligência, passamos a tomar decisões mais estratégicas, reduzindo riscos e aumentando previsibilidade nos resultados”, afirma.

Sobre a EasyJur

A EasyJur é uma lawtech brasileira focada em gestão jurídica e automação para escritórios de advocacia e departamentos jurídicos. A empresa desenvolve soluções em nuvem com recursos de inteligência artificial aplicados à rotina do Direito, reunindo gestão processual, controle financeiro, relacionamento com clientes e análise de dados em uma única plataforma.

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