Dia Mundial do Doador de Sangue (14/06): Estoques de sangue caem 30% no inverno, enquanto aumenta a demanda por transfusões
Campanha do CRBM6 incentiva a solidariedade no Paraná; biomédica responde às dúvidas comuns sobre a doação de sangue
A proximidade do inverno e do Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado neste domingo (14/06), acende um alerta nos hemocentros do Paraná: durante os meses mais frios do ano, os estoques de bolsas de sangue podem sofrer uma redução de mais de 30%.
Além das baixas temperaturas, outro fator preocupa os serviços de hemoterapia: o aumento da demanda por sangue, já que o período coincide com as férias escolares de julho, época em que há maior deslocamento de pessoas pelas rodovias, elevando o número de acidentes e, consequentemente, a necessidade de transfusões sanguíneas.
Também é nesta época do ano que muitos pacientes optam por realizar procedimentos cirúrgicos eletivos. Entre eles, destacam-se as cirurgias plásticas e estéticas, que tradicionalmente apresentam aumento significativo durante o inverno, período considerado mais confortável para a recuperação pós-operatória. Estima-se que aproximadamente 50% das cirurgias estéticas sejam realizadas nos meses mais frios do ano.
Campanha para incentivar a doação de sangue
Para reverter esse cenário e estimular a solidariedade, o Conselho Regional de Biomedicina do Paraná 6ª Região (CRBM6) lançou uma campanha interna, mobilizando os mais de 7.700 biomédicos do Estado a darem o exemplo para doar sangue.
“Cada bolsa de sangue representa esperança para quem aguarda uma cirurgia, tratamento oncológico ou atendimento de emergência. Os biomédicos participam diariamente dos processos que garantem a qualidade e a segurança do sangue transfundido aos pacientes. Por conhecerem a importância dessa cadeia de cuidado, os profissionais da Biomedicina estão sendo chamados a liderar pelo exemplo e estimular a cultura da doação voluntária em todo o Paraná”, afirma a presidente do CRBM6, Daiane Pereira Camacho.
“Temos uma combinação preocupante: menos pessoas comparecem para doar sangue por causa do frio, enquanto a demanda por hemocomponentes aumenta em razão dos acidentes, das cirurgias eletivas e do atendimento de pacientes que dependem regularmente de transfusões. Por isso, cada doação torna-se ainda mais importante nesta época do ano”, afirma Daiane.
Dúvidas comuns sobre a doação de sangue
Para esclarecer os principais mitos e receios que afastam a população dos hemocentros, a especialista, que também é professora universitária, respondeu às dúvidas mais comuns sobre a doação de sangue.
1) O que é preciso para doar sangue?
Podem doar pessoas com idade entre 16 e 69 anos que pesem mais de 50 kg. É necessário apresentar documento oficial com foto. Menores de 18 anos precisam de consentimento formal dos responsáveis. Pessoas com febre, gripe, resfriado, diarreia recente, gestantes e lactantes ficam temporariamente impedidas de doar.
2) É necessário estar em jejum para doar?
Não. O doador não deve estar em jejum, mas é fundamental evitar alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a doação.
3) Doar sangue é totalmente seguro?
Sim. O volume coletado é de aproximadamente 450 ml, quantidade segura para o organismo, que possui, em média, cinco litros de sangue circulante. Uma única doação pode ajudar até quatro pessoas.
4) Posso contrair alguma doença durante a doação?
Não. A doação de sangue é um procedimento extremamente seguro. Todos os materiais utilizados na coleta são estéreis, descartáveis e de uso único, eliminando qualquer risco de contaminação para o doador. Além disso, o Brasil é reconhecido internacionalmente como referência em segurança transfusional, graças aos rigorosos protocolos adotados pelos serviços de hemoterapia.
5) Quais são os locais para doar sangue no Paraná?
As doações podem ser realizadas em toda a rede Hemepar, composta por 23 unidades distribuídas pelo Paraná. Entretanto, os doadores também podem procurar outros serviços de hemoterapia e bancos de sangue (hemobancos) credenciados existentes em diversas cidades do Estado, especialmente junto a grandes hospitais (como o Hospital Erasto Gaertner).
Em Curitiba, por exemplo, além do Hemepar, importantes instituições hospitalares mantêm serviços próprios de hemoterapia e captação de doadores. O mais importante é que o cidadão procure o hemocentro ou banco de sangue mais próximo de sua residência e mantenha a doação de forma regular.
A Hemorrede Pública do Paraná é composta por
• Um Hemocentro Coordenador: Hemepar Curitiba;
• Quatro Hemocentros Regionais: Guarapuava, Cascavel, Maringá e Londrina;
• Dez Hemonúcleos: Ponta Grossa, União da Vitória, Pato Branco, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu, Campo Mourão, Umuarama, Paranavaí, Apucarana e Biobanco/UFPR (Curitiba);
• Sete Unidades de Coleta e Transfusão: Paranaguá, Irati, Cianorte, Cornélio Procópio, Jacarezinho, Toledo e Telêmaco Borba;
• Uma Agência Transfusional: Ivaiporã.
6) Quanto tempo o organismo leva para repor o sangue doado?
O corpo humano repõe o volume de sangue doado nas primeiras 72 horas após a coleta.
7) A doação afina ou engrossa o sangue?
Não. A doação não altera a densidade do sangue. O organismo inicia imediatamente a reposição dos componentes sanguíneos até restabelecer o equilíbrio normal.
8) Existe algum substituto sintético para o sangue?
Não. Ainda não existe substituto capaz de reproduzir todas as funções do sangue humano. Por isso, os estoques dependem exclusivamente da solidariedade dos doadores.
9) Quanto tempo dura todo o procedimento?
O processo completo leva, em média, 40 minutos, incluindo cadastro, triagem clínica, aferição de sinais vitais, coleta e lanche pós-doação.
10) Quantas vezes por ano é permitido doar sangue?
Homens: intervalo mínimo de 60 dias entre as doações, com limite de quatro doações anuais.
Mulheres: intervalo mínimo de 90 dias entre as doações, com limite de três doações anuais.
Uma doação pode salvar até quatro vidas
“Com esse gesto de amor ao próximo, que pode beneficiar até quatro vidas, queremos estimular a solidariedade em todo o Paraná. Por isso, os biomédicos estão sendo convidados a dar o exemplo”, complementa Daiane Pereira Camacho.
Neste período do ano, a participação da população torna-se ainda mais necessária. Os estoques de sangue não podem ser fabricados ou substituídos artificialmente e são fundamentais para o atendimento de vítimas de acidentes, pacientes oncológicos, pessoas submetidas a cirurgias de alta complexidade e diversas outras situações de emergência.
Uma única doação pode representar a diferença entre a vida e a morte para quem aguarda atendimento nos hospitais. No entanto, tão importante quanto o gesto do doador é o trabalho realizado pelos profissionais que garantem que esse sangue chegue ao paciente com qualidade e segurança.
Nesse processo, o biomédico exerce papel fundamental nos serviços de hemoterapia e bancos de sangue, atuando na realização de testes sorológicos, exames imuno-hematológicos (com hífen), controle de qualidade dos hemocomponentes e verificação da compatibilidade entre doador e receptor. É um trabalho técnico, silencioso e altamente especializado, que contribui diretamente para a segurança transfusional e para a preservação de vidas.
“A sociedade nem sempre vê o que acontece nos bastidores de uma transfusão sanguínea. Antes que uma bolsa de sangue chegue ao paciente, existe uma série de análises e controles rigorosos realizados por profissionais capacitados, entre eles os biomédicos. Nosso trabalho é garantir que cada transfusão ocorra com a máxima segurança possível”, destaca a presidente do CRBM6, Daiane Pereira Camacho.
Mais do que incentivar a doação de sangue, a campanha busca aproximar a população da Biomedicina e mostrar que milhares de biomédicos atuam diariamente em áreas estratégicas da saúde. Nos laboratórios, bancos de sangue, hospitais, centros de diagnóstico e pesquisas científicas, esses profissionais trabalham para proteger vidas, prevenir doenças e assegurar a qualidade da assistência prestada à população paranaense.
Sobre o CRBM6
O Conselho Regional de Biomedicina do Paraná 6ª Região (CRBM6) é uma Autarquia Federal com jurisdição no Estado do Paraná.
A entidade é formada por 7.730 profissionais. A sede fica em Curitiba e as delegacias regionais estão em Campo Mourão, Cascavel, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá, União da Vitória, Guarapuava, Umuarama, Guaíra, Ponta Grossa e Paranavaí.
Os biomédicos atuam em mais de 30 atividades ligadas à saúde tais como acupuntura, análises clínicas e ambientais, bromatológicas [avalia a qualidade dos alimentos], auditoria, banco de sangue, biofísica, biologia molecular, bioquímica, citologia oncótica, embriologia, estética, farmacologia, fisiologia, genética, hematologia, histologia, imunologia, imagenologia, informática da saúde, microbiologia, microbiologia de alimentos, monitoramento neurofisiológico transoperatório, parasitologia, patologia, perfusão, psicobiologia, radiologia, reprodução humana, sanitarista, saúde pública, toxicologia, virologia e outras áreas.
