Fora da rota: a tecnologia por trás da seleção de motoristas para transporte de cargas de alto impacto social

Fora da rota: a tecnologia por trás da seleção de motoristas para transporte de cargas de alto impacto social

Empresas combinam background check, rastreamento e compliance para proteger cargas que, se desviadas, impactam a segurança pública

O transporte rodoviário de cargas no Brasil enfrenta um desafio complexo contra a criminalidade nas estradas. O país lida com uma média de até 8.600 roubos de cargas anualmente, representando uma média de 24 casos diários, de acordo com o balanço divulgado pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística). Embora o balanço oficial divulgado em 2026 aponte uma redução de 16,7% em comparação ao período de 2024, o impacto financeiro direto ainda superou os R$900 milhões, podendo ultrapassar R$1 bilhão quando contabilizados os custos operacionais indiretos e os gastos com seguros.

Esse cenário complexo está diretamente conectado à necessidade de blindagem das informações logísticas, visto que mapeamentos especializados do setor, como o Panorama do Roubo de Cargas da GIF International, revelam que quase metade das ocorrências apresenta algum indício de vazamento de dados operacionais ou facilitação interna. Esse indicador evidencia como profissionais de transporte e logística podem ficar expostos a táticas agressivas de engenharia social, aliciamento ou coação por parte de organizações criminosas estruturadas para obter itinerários e horários de remessas valiosas.

Para além do prejuízo financeiro das empresas, o desvio de carregamentos de alto impacto social, como medicamentos de alto custo, insumos químicos controlados e armas, acende um alerta vermelho nas autoridades de segurança pública, uma vez que o destino dessas mercadorias alimenta diretamente as engrenagens da violência urbana e o poder de grupos criminosos.

Com o novo desafio, o gerenciamento de riscos moderno passou a incorporar processos integrados de validação, nos quais a tecnologia atua como uma aliada estratégica para construir cadeias logísticas mais seguras e transparentes.

Segundo Augusto Duarte, CEO da BGC Brasil, empresa especializada em verificação de antecedentes para prevenção de crises, o cenário atual demanda um amadurecimento das práticas de governança. “O setor de transporte de cargas especiais exige uma mudança de patamar na gestão de riscos. A evolução da checagem pré-contratual não deve ser vista como uma solução isolada para a segurança, mas sim como uma engrenagem para estabelecer uma rede de confiança em toda a cadeia de suprimentos. Com processos estruturados, o objetivo é mitigar inconsistências e a valorizar o bom profissional, protegendo a integridade das operações e a sociedade”, afirma o executivo.

A integração de tecnologias digitais permite que transportadoras e operadores logísticos realizem a validação cadastral e o alinhamento de perfil profissional de forma ágil e precisa, indo além da simples consulta de regularidade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Em estrita conformidade com a legislação brasileira, as ferramentas especializadas analisam dados de fontes estritamente públicas e autorizadas por lei para identificar divergências documentais ou registros oficiais consolidados que possam indicar desconformidade com os padrões de segurança exigidos para a operação.

Duarte ressalta que esse procedimento não significa, de forma alguma, um acesso irrestrito a dados privados ou sigilosos do cidadão. “Toda a verificação é conduzida dentro dos limites determinados pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), baseando-se em informações de acesso público ou mediante a ciência e o consentimento prévio e informado do candidato. Essa transparência protege os direitos individuais do motorista e atende às diretrizes do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que reconhece a legitimidade da checagem de histórico para funções que envolvem alto grau de responsabilidade, preservação do patrimônio e segurança viária”, explica.

A modernização dos sistemas expande o escopo dessa triagem para um modelo focado na prevenção de fraudes e conformidade operacional. “O background check apoia a validação de identidade em tempo real. No transporte de insumos sensíveis, a capacidade de confirmar a autenticidade de uma credencial profissional antes mesmo do carregamento fortalece a previsibilidade e a segurança que o setor exige”, pontua o executivo. A empresa atualmente atende a maior gerenciadora de riscos e plataforma de logística da América Latina, conseguindo realizar uma média de 299.207 consultas mensais neste ano apenas para um único cliente.

Para reforçar essa rede de proteção, o mercado logístico combina as ferramentas de verificação de histórico com soluções complementares, como a biometria facial e a inteligência artificial. Esses recursos auxiliam na checagem de dados documentais, evitando o uso indevido de dados de condutores e garantindo que o profissional escalado para a rota seja efetivamente quem está no comando do veículo.

Com o mercado logístico brasileiro alinhado a padrões internacionais de conformidade e governança corporativa, a verificação especializada de motoristas, em conjunto com sistemas de rastreamento e treinamentos operacionais, ajuda a garantir que insumos vitais percorram as estradas brasileiras com a máxima regularidade e cheguem ao destino final com total segurança.

Sobre a BGC Brasil

Fundada em 2017, a BGC Brasil é uma empresa especializada em verificação de antecedentes de pessoas, empresas e ativos para gestão de riscos. Com atuação em todo o território nacional e acesso a mais de 200 fontes de pesquisa nacionais e internacionais, todas em estrita conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a empresa realiza mensalmente mais de 500 mil verificações. A BGC Brasil é parceira de grandes marcas, como Hapvida, 99, Pandora e Leroy Merlin, os auxiliando na tomada de decisões mais seguras e assertivas. Em 2025 foi adquirida pela norte-americana HireRight, líder global em verificação de antecedentes.

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