O SAMU pode atender em rodovias ou apenas dentro da cidade?

O SAMU pode atender em rodovias ou apenas dentro da cidade?

Especialista explica como diferentes serviços de atendimento pré-hospitalar atuam de forma coordenada para reduzir o tempo de resposta e aumentar as chances de sobrevivência

Quando um acidente acontece em uma rodovia, uma das primeiras dúvidas de quem presencia a situação costuma surgir antes mesmo do socorro chegar: devo ligar para o SAMU, para o Corpo de Bombeiros, para a Polícia Rodoviária ou para a concessionária da estrada?

A incerteza é comum e, em muitos casos, faz com que os envolvidos percam minutos preciosos tentando descobrir quem é o responsável pelo atendimento. Em uma emergência, esse tempo pode impactar diretamente o prognóstico da vítima.

Segundo Eduardo Minuzzi, diretor-geral da SMB Gestão em Saúde – que é operadora do SAMU em diversas regiões do Paraná – essa dúvida existe porque o atendimento pré-hospitalar no Brasil funciona por meio de uma rede integrada de urgência e emergência, na qual diferentes instituições atuam de forma complementar, conforme o tipo de ocorrência, a gravidade do caso e a área de cobertura.

“O cidadão não precisa conhecer toda a organização do sistema para pedir ajuda. O que realmente faz diferença é comunicar rapidamente a emergência e fornecer informações precisas sobre o local e as condições da vítima. A partir daí, a Central de Regulação identifica qual recurso deve ser mobilizado”, explica.

É justamente nesse ponto que surgem muitos equívocos sobre a atuação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192). Embora frequentemente associado ao atendimento dentro do perímetro urbano, sua atuação não é definida pelo fato de a ocorrência acontecer em uma cidade ou em uma rodovia.

Na prática, a resposta depende da organização da rede assistencial da região. Em diversos trechos rodoviários, especialmente onde não existe estrutura própria de atendimento, o SAMU é o serviço responsável pelo resgate e pelo suporte às vítimas.

Já em rodovias concedidas à iniciativa privada, é comum que as concessionárias mantenham equipes próprias de atendimento pré-hospitalar, que trabalham de forma articulada com o SAMU, Corpo de Bombeiros e forças policiais quando a situação exige uma resposta conjunta.

Essa integração permite que o recurso mais adequado seja enviado para cada ocorrência, considerando fatores como gravidade clínica, distância, disponibilidade das equipes e necessidade de suporte avançado de vida.

Outro aspecto pouco conhecido pela população é que o atendimento começa antes mesmo da chegada da ambulância. Ao ligar para o 192, a ocorrência é avaliada por uma Central de Regulação Médica, onde profissionais treinados coletam informações, classificam o risco e orientam os primeiros cuidados enquanto a equipe se desloca.

“Uma informação aparentemente simples, como o quilômetro da rodovia, o sentido da pista, um ponto de referência ou o número de vítimas, pode reduzir significativamente o tempo necessário para localizar a ocorrência. Essa colaboração da população é parte essencial do atendimento pré-hospitalar”, destaca Eduardo.

Além de acionar o socorro, quem presencia um acidente deve evitar movimentar vítimas com suspeita de traumatismo, salvo em situações de risco iminente, como incêndio ou possibilidade de explosão. Também é importante sinalizar a via de forma segura para prevenir novos acidentes e aguardar a chegada das equipes especializadas.

O diretor-geral da SMB frisa que o cidadão não precisa acertar qual instituição é responsável pelo trecho para receber ajuda. Mas explica que cada serviço acionado – SAMU, Bombeiros, PRF ou concessionária – iniciará o atendimento conforme sua competência primária.

“Eles operam de forma integrada e trocam informações entre si. Muitas vezes a ocorrência exige atuação conjunta, como em casos de vítima presa nas ferragens, em que os Bombeiros controlam o risco imediato enquanto a equipe médica assume os cuidados clínicos”, detalha Eduardo.

Por isso, segundo ele, o mais importante não é escolher o número ‘certo’, e sim ligar sem hesitar para o primeiro serviço de emergência lembrado. “A partir do contato, a rede se articula internamente para mobilizar o recurso adequado”.

Serviço:

192 – SAMU (emergências clínicas e atendimento pré-hospitalar)

193 – Corpo de Bombeiros (resgate, incêndio, vítimas presas em ferragens)

191 – Polícia Rodoviária Federal (ocorrências em rodovias federais, sinalização de pista)

190 – Polícia Militar (ordem pública, situações de risco imediato)

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