Comprar um sistema de IA ou criar o próprio? Veja como decidir
Tipo de processo, custo das licenças, manutenção e segurança ajudam a definir a escolha
Comprar uma ferramenta ou desenvolver um sistema próprio depende do problema que a empresa precisa resolver. Soluções disponíveis no mercado podem fazer mais sentido quando a necessidade é comum a diferentes negócios, envolve uma área sujeita a regras específicas ou exige certificação formal de segurança. O desenvolvimento interno pode ser considerado quando o processo é específico, exige alterações frequentes ou precisa adaptar a tecnologia à operação.
Para Daniel Delgado (@doutoresdoexcel no Instagram), especialista em análise de dados e inteligência artificial, a decisão deve começar por um caso concreto. A empresa precisa identificar a dificuldade enfrentada e calcular quanto o processo atual custa em horas de trabalho, licenças, retrabalho e risco de erros.
A aquisição de sistemas prontos ainda é a forma mais comum de adoção. Entre as empresas brasileiras que utilizaram IA em 2025, 80% compraram softwares ou sistemas prontos, segundo a pesquisa TIC Empresas 2025, realizada pelo Cetic.br. No mesmo grupo, 54% contrataram fornecedores externos para desenvolver ou modificar soluções. As modalidades podem coexistir.
Quando comprar uma solução pronta?
A compra pode fazer mais sentido quando o problema é genérico e não diferencia a empresa ou quando a solução disponível no mercado é superior e tem custo compatível.
Sistemas de folha de pagamento, fiscais e contábeis também favorecem a contratação de ferramentas especializadas, segundo Delgado. O mesmo vale quando a atividade exige uma certificação formal de segurança.
Antes da contratação, a empresa deve avaliar quanto pagará em mensalidades, cobranças por usuário ou por volume de utilização. Também precisa verificar se a ferramenta obriga a equipe a adaptar o processo às funções oferecidas.
Outra questão é a dependência do fornecedor para fazer alterações. Como um software pronto atende diferentes clientes, um pedido específico pode precisar disputar espaço com outras demandas ou não ser incorporado ao sistema.
Quando vale desenvolver?
Uma solução própria pode ser considerada quando o processo é específico, a ferramenta disponível obriga a empresa a modificar sua forma de trabalhar ou o custo das licenças já é elevado. O desenvolvimento também pode fazer sentido quando o sistema será utilizado internamente e precisará passar por alterações frequentes.
“Ninguém precisa construir o próprio sistema de nota fiscal. Mas talvez a sua empresa não precise pagar quatro plataformas externas para se comunicar com o cliente”, explica Delgado.
O especialista cita empresas que contratam diferentes plataformas para enviar e-mails e mensagens, realizar pesquisas, gerenciar tarefas, assinar documentos e organizar agendamentos. Cada serviço pode acrescentar mensalidades, contratos e cobranças por usuário ou volume.
A manutenção é um dos principais pontos da decisão. Um sistema próprio precisa ter documentação, controle de versão e uma pessoa responsável por sua continuidade. Esses cuidados permitem que outro profissional compreenda o projeto caso quem participou do desenvolvimento deixe a empresa.
“Sistema interno sem documentação, sem controle de versão e sem responsável definido continua sendo passivo, com IA ou sem IA. A tecnologia removeu a dificuldade. Ela não removeu a necessidade de método”, avalia.
Antes de construir uma solução maior, a empresa pode começar por um protótipo e realizar um teste com prazo e critérios de sucesso definidos. Delgado recomenda um projeto pequeno, reversível e sem dados sensíveis. O resultado deve ser comparado com a situação anterior, considerando as horas economizadas e a redução de erros.
Ferramentas internas, painéis da área, automações que utilizem dados aos quais a equipe já tem acesso, protótipos e provas de conceito podem começar na própria área. Projetos que envolvam dados sensíveis, credenciais de produção, sistemas críticos, clientes externos ou funcionamento ininterrupto devem passar pela equipe de tecnologia.
Quem é Daniel Delgado?
Daniel Delgado é administrador de empresas formado pelo Mackenzie, pós-graduado em Análise de Dados (Anhanguera) e especialista em inteligência artificial aplicada à produtividade, Excel, VBA, Power Query, Power Pivot e Power BI. É fundador e CEO da Doutores do Excel, empresa de cursos e treinamentos corporativos que já formou mais de 180 mil alunos em todo o país. Possui mais de 15 anos de experiência de mercado, como consultor estratégico, com passagens por grandes empresas do varejo, saúde e tecnologia brasileira e até na Bolsa de Valores. Aplicou treinamentos corporativos para companhias reconhecidas, como Honda, Magazine Luiza, Riachuelo, Locaweb, iFood e Movile. Desenvolveu projetos de consultoria e desenvolvimento de Dashboards para dezenas de empresas de diversos segmentos em todo o País.
