Startups passam a disputar espaço nas respostas das IAs e reorganizam a comunicação

Startups passam a disputar espaço nas respostas das IAs e reorganizam a comunicação

Presença em ferramentas como ChatGPT e Gemini salta entre as prioridades de marketing das empresas brasileiras e já consome cerca de um quarto dos orçamentos de busca e conteúdo no mercado americano

São Paulo, outubro de 2026. A reputação das startups ganhou um novo endereço. Além da imprensa tradicional, empresas de tecnologia agora miram as respostas geradas por ferramentas de inteligência artificial como ChatGPT, Gemini e Perplexity, que passaram a fazer parte da pesquisa de clientes, investidores e talentos antes de qualquer decisão.

O movimento aparece nas pesquisas de mercado. No Brasil, a segunda edição do levantamento Tendências de Marketing, Vendas e RevOps, da 8D Hubify em parceria com a PipeLovers, mostra que o GEO (Generative Engine Optimization, a otimização da presença de marcas em respostas de IA) passou de 8,9% para 30,4% entre as prioridades de marketing das empresas para 2026. Foi a iniciativa que mais cresceu no ranking.

Nos Estados Unidos, o investimento já ganhou escala. Segundo dados da Fractl divulgados pelo Digiday em agosto, profissionais de marketing destinam em média 24% dos orçamentos de busca e conteúdo a ações de visibilidade em IA, e 82% já reservam alguma verba para isso. Entre grandes empresas, uma pesquisa da Conductor com mais de 250 executivos aponta que 94% planejam aumentar o investimento em GEO em 2026, tema que aparece como a principal prioridade estratégica de marketing do ano.

A pressão vem do comportamento de quem compra. O relatório The State of Business Buying 2026, da Forrester, indica que 94% dos compradores corporativos usam IA em algum momento do processo de compra, e as ferramentas de IA generativa foram o tipo de interação mais citado na pesquisa sobre fornecedores.

Na Camp1, agência brasileira de relações públicas especializada em startups e scale-ups de tecnologia, a mudança já chega pela porta comercial. Boa parte das empresas que procuram a agência em 2026 traz a presença em IA como uma das primeiras demandas.

“A reputação de uma startup passou a ser construída também dentro das respostas de IA. Quando alguém pergunta ao ChatGPT qual ferramenta contratar ou em qual empresa investir, a resposta já influencia percepção, consideração e decisão. Os fundadores perceberam isso e chegam até nós com essa preocupação logo na primeira conversa”, explica Luís de Magalhães, fundador e CEO da Camp1.

A imprensa tem papel central nessa equação. Um estudo da BuzzStream em parceria com a Xofu, publicado em junho, mostra que veículos de imprensa respondem por 14% das citações em respostas de IA, índice que sobe para 18% quando a pergunta envolve uma tomada de decisão. Outro levantamento, da LLM Pulse, analisou 5,3 milhões de citações feitas por ChatGPT, Gemini, Perplexity e Google entre abril e julho nos Estados Unidos e concluiu que, quando as IAs recorrem à imprensa, mais da metade das citações (51,9%) vai para veículos de tecnologia.

A demanda levou a Camp1 a criar uma área dedicada, com analistas focados em entender como conteúdos, marcas e narrativas são capturados e citados por sistemas de inteligência artificial.

“Estar presente nas IAs é o primeiro passo. O trabalho maior está em garantir que elas entendam a empresa corretamente, e isso envolve a forma como a informação é estruturada, os veículos onde ela aparece e a consistência ao longo do tempo. Para uma startup, uma reportagem em um veículo de tecnologia relevante segue entre as fontes que mais pesam nessa equação”, afirma Luís.

Marketing também ajusta a rota

A procura por presença em respostas de IA também cresce no marketing, principalmente entre empresas que dependem de aquisição digital e performance. A Massi, agência focada em crescimento e performance que atende empresas de tecnologia, e-commerce e negócios digitais, tem registrado aumento na procura por soluções ligadas ao tema.

“Aparecer bem no Google continua importante, e agora os clientes também querem ser bem citados nas respostas das inteligências artificiais. Isso muda a forma de criar conteúdo. Volume de palavra-chave perdeu peso, enquanto clareza, profundidade e consistência ao longo do tempo ganharam. Quem ajustar a estratégia agora sai na frente de quem ainda está esperando para ver”, afirma Pedro Massi, fundador da agência.

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