Gentileza contagia
O que a Ciência das Emoções e a Psicologia Positiva revelam sobre a força dos pequenos gestos, tema do Dia Mundial da Gentileza, celebrado em 13 de novembro
por Deborah Dubner*
O que você sente quando uma pessoa desconhecida faz uma gentileza para você? Abre a porta, oferece um chocolate, carrega sua sacola do supermercado, brinca com seu filho no elevador. A gentileza é um pequeno gesto que dura segundos e pode reverberar por horas.
Após receber um ato de gentileza, você pode sentir gratidão, amor, esperança e alegria. Sua percepção pode se ampliar, abrindo espaço para o que a psicóloga e pesquisadora americana Barbara Fredrickson descreve como um micromomento de amor. É como se o coração se alargasse ao entrar em sintonia com o da outra pessoa, numa conexão breve, que pode envolver até mesmo uma sincronia biológica quase invisível.
Já ouvimos inúmeras vezes que gentileza gera gentileza. Em termos científicos, isso quer dizer que quando somos tratados com gentileza, podemos experimentar emoções positivas que favorecem a aproximação, a confiança e a disposição para agir de maneira gentil com outras pessoas. Assim, um pequeno gesto pode desencadear outros, ampliando seus efeitos nas relações humanas.
E quando você faz uma gentileza? O que sente? O que vê? É possível que receba um sorriso ou até mesmo um abraço. A pessoa provavelmente responderá de alguma forma, ainda que sutil. Talvez você sinta uma conexão inexplicável com aquela pessoa nos breves instantes em que a gentileza ocorreu ou perceba uma sensação interna de transbordamento de algo muito bom se espalhando na região do peito. Ser gentil também pode despertar sensações agradáveis no corpo e emoções positivas.
13 de novembro é o Dia Mundial da Gentileza. A ideia é sensibilizar as pessoas para que essa atitude seja praticada com intencionalidade e frequência. A data foi instituída em 1998, por iniciativa do World Kindness Movement, um movimento internacional que buscava valorizar a gentileza como uma força capaz de aproximar pessoas, independentemente de suas diferenças culturais, religiosas ou políticas.
Uma atitude que merece atenção
Uma análise publicada em 2018 no Journal of Experimental Social Psychology, reunindo 27 estudos e mais de 4 mil participantes, encontrou evidências de que praticar atos de gentileza contribui para o bem-estar de quem os realiza, embora os efeitos observados sejam pequenos ou moderados. Outra pesquisa internacional com 4.284 participantes, nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, propôs pelo menos um ato de gentileza por semana durante quatro semanas. Foram observadas pequenas reduções na solidão em dois dos três países, além de benefícios em alguns indicadores de isolamento, ansiedade social e estresse.
A gentileza se aprende e contagia
A Psicologia Positiva reconhece a gentileza como uma das 24 forças de caráter que podemos desenvolver ao longo da vida. Isso significa que ser gentil não é apenas uma característica de personalidade ou um ato de educação, mas também uma atitude que pode ser aprendida e exercitada. E por que alguém vai querer aprender a ser mais gentil? A resposta é simples: porque faz bem!
Um aspecto bonito da gentileza é que ela pode ser contagiosa. Para além do benefício individual, existe a dimensão coletiva da gentileza, pois ela contribui para a qualidade das relações e do entorno. Um pequeno gesto pode despertar emoções positivas, fortalecer vínculos e inspirar outras pessoas a fazer o mesmo. Assim, quem recebe pode se tornar o próximo que oferece, criando uma corrente de cuidado e conexão humana.
Falar de gentileza não é o mesmo que praticar. Nada como experimentar para sentir seus efeitos benéficos no corpo, nas emoções e nas relações. Aqui vão 5 ideias para inspirar a sua própria lista de gentilezas:
Oferecer um chocolate para uma pessoa desconhecida;
Dar um livro que você gostou de ler para quem vier à sua mente;
Oferecer a um vizinho algo preparado por você (um bolo, um artesanato, uma canção, uma muda de planta, por exemplo);
Cuidar do jardim ou dos pets de um amigo ou vizinho quando ele estiver viajando;
Levar algo gostoso para as pessoas que trabalham no seu prédio ou na sua rua;
Esses e outros pequenos grandes gestos, quando praticados cotidianamente, podem fortalecer nossas conexões e contribuir para o bem-estar individual e coletivo. A gentileza não precisa de grandes acontecimentos. Basta começar!
*Deborah Dubner é psicóloga, escritora e palestrante TEDx. É graduada em Ciência da Felicidade e especialista em Psicologia Positiva e Neurociência. Professora EAD de pós-graduação da PUC Paraná em Motivação e Resiliência. É autora de sete livros. Desenvolve cursos, grupos e vivências presenciais e on-line, trazendo para o cotidiano conhecimentos científicos em linguagem acessível e poética, com foco no bem-estar, autoconhecimento e conexão humana.
