Casos e mortes por Dengue caem mais de 80% no Paraná em 2025  

Casos e mortes por Dengue caem mais de 80% no Paraná em 2025

Dados da Secretaria de Saúde do Paraná reforçam queda expressiva, mas alerta para prevenção segue com a chegada do verão.

Dados recentes da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) revelam uma queda expressiva nos números de dengue em 2025. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma redução de 85% no número de casos confirmados e uma queda de 81% nos óbitos relacionados à doença. Entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 90.717 casos confirmados de dengue no estado, contra 616.963 no mesmo período de 2024. Em relação aos óbitos, as mortes passaram de 733, no ano passado, para 139 neste ano.

De acordo com a Sesa, 2025 apresenta os menores índices da década, exceto pelo ano de 2021, quando foram registrados 27.142 casos. Embora a redução signifique um alívio para o sistema de saúde, o alerta permanece, especialmente com a aproximação do verão, período crítico da sazonalidade da dengue, que vai de dezembro a maio. A infectologista Rosana Richtmann, consultora de vacinas da Dasa, líder de medicina diagnóstica no Brasil, reforça a importância da prevenção nesse período: “Estamos entrando em uma fase do ano que favorece a proliferação do vírus da dengue, com impacto importante nas pessoas e no sistema de saúde. A vacinação é uma ferramenta crucial para reduzir a carga da doença e suas complicações”, afirma.

Vacinação: ferramenta-chave no combate à dengue

O único imunizante disponível no Brasil que pode ser aplicado independentemente de exposição anterior ao vírus é o QDENGA. A vacina, desenvolvida com vírus vivo atenuado, protege contra os quatro sorotipos da dengue e tem eficácia geral de 84,1% após as duas doses. A eficácia contra formas graves, que exigem hospitalização, chega a 90,4%.

Segundo a Dra. Rosana Richtmann, a vacina representa uma alternativa importante para evitar complicações da doença. “O imunizante é administrado em duas doses com intervalo de três meses. Ele pode ser aplicado em pessoas de 4 a 60 anos, mas não é recomendado para quem possui condições de imunossupressão. A QDENGA também pode ser administrada em pessoas que já tomaram a Dengvaxia, desde que respeitado o intervalo de seis meses após a última dose”, explica.

A sazonalidade da dengue no Brasil está diretamente ligada às condições climáticas do período de primavera e verão. Altas temperaturas aceleram o ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti, desde a eclosão dos ovos até a fase adulta. Já os períodos de chuva criam recipientes com água parada – vasos de plantas, pneus e calhas entupidas, por exemplo –, locais ideais para o mosquito depositar seus ovos.

“Esses fatores tornam a vigilância e a eliminação de criadouros fundamentais para evitar surtos”, destaca a Dra. Rosana Richtmann. “É importante mobilizar a população para combater o mosquito por meio de ações simples, como tampar caixas-d'água, evitar o acúmulo de água em objetos ao ar livre e intensificar a limpeza de calhas e quintais.”

Mesmo com os números em queda, o aumento de casos de dengue durante os meses de pico pode sobrecarregar os sistemas de saúde. Por isso, é imprescindível combinar estratégias de prevenção e combate ao mosquito com campanhas de conscientização e a vacinação de pessoas elegíveis. “Esse período exige um esforço conjunto entre instituições de saúde e a população para enfrentarmos a dengue de forma eficaz”, finaliza a especialista.

Apesar da expressiva redução de casos de dengue no Paraná em 2025, o início da temporada de maior incidência é sempre um alerta para redobrar a vigilância. A vacinação continua sendo uma aliada poderosa no combate à doença, enquanto os cuidados com o ambiente são cruciais para evitar a proliferação do mosquito transmissor.