Pesquisa revela que 49% dos brasileiros já utilizaram inteligência artificial para tirar dúvidas sobre saúde
Levantamento inédito da Doctoralia mostra o comportamento atual dos brasileiros com relação à busca por informações sobre saúde e escolha de especialistas
Um estudo publicado na revista científica Nature demonstrou que algoritmos de Inteligência Artificial (IA) podem detectar tumores com 95% de precisão. Já a Microsoft anunciou recentemente uma ferramenta médica de IA que, segundo a empresa, contribui com os médicos para diagnosticar condições complexas de maneira quatro vezes mais eficaz. Na era da transformação digital, os brasileiros têm recorrido cada vez mais à internet e à inteligência artificial (IA) para tirar dúvidas sobre saúde, mas a palavra final ainda pertence aos especialistas.
Diante desse novo cenário, a Doctoralia, plataforma de saúde que conecta pacientes a médicos de diferentes especialidades, acaba de divulgar uma pesquisa inédita sobre a percepção das pessoas sobre o uso da internet e da inteligência artificial para questões de saúde, com a participação de 3.400 pessoas de todas as regiões do Brasil.
Ao se depararem com uma dúvida de saúde, 38% buscam primeiramente no Google ou em plataformas similares, e outros 38% preferem perguntar a um médico. A inteligência artificial é a primeira opção para apenas 12% dos entrevistados, mas 49% admitem já terem utilizado a ferramenta para elucidar alguma questão. O levantamento aponta também que 17% não confia na IA para temas de saúde e 13% sequer conheciam essa possibilidade.
A percepção sobre o papel da internet e da IA na saúde é variada. Para 59% dos entrevistados, as ferramentas ajudam a resolver dúvidas, mas para apenas 22% elas são essenciais para tomar decisões. Os outros 37% as consideram um bom ponto de partida, mas sempre confirmam as informações com um médico.
Quando o assunto é a confiabilidade das fontes de informação, médicos conhecidos são fontes confiáveis para 72% dos brasileiros. Sites de hospitais e clínicas aparecem em segundo lugar (8%), enquanto a inteligência artificial é considerada a fonte mais confiável por apenas 4% dos entrevistados.
Para Flávia Soccol, head de Patient Care da Doctoralia, a pesquisa comprova que os médicos seguem muito respeitados no Brasil, mesmo com o avanço da IA. "Vivemos um momento em que a inteligência artificial acelera a transformação de vários setores. Mas a pesquisa deixa claro: em saúde, credibilidade continua sendo o ativo mais valioso. A tecnologia pode informar, orientar e apoiar, mas o que de fato traz segurança para o paciente é a palavra do especialista. Essa combinação (humano + tecnologia) será a fronteira decisiva para a próxima década", afirma.
Na saúde, credibilidade ainda é fundamental
A cautela se estende à tomada de ações de saúde baseadas em informações digitais: a maioria (66%) afirma consultar um médico antes, 13% preferem marcar consultas após sugestões da IA e apenas 5% buscam remédios ou tratamentos sugeridos.
A pesquisa também aponta que, mesmo na busca online por um profissional, a credibilidade é fundamental. As avaliações e comentários de outros pacientes (36%) e a indicação de outros profissionais conhecidos (25%) são os fatores que mais influenciam a escolha de um novo médico.
Segundo o head de Marketing da Doctoralia, Gabriel Manes, esse dado serve de alerta para os profissionais que ainda não valorizam avaliações e comentários dos pacientes no ambiente digital. “A internet, impulsionada pela IA generativa, amplia o acesso a informações sobre tudo e todos. Se o profissional de saúde não for bem avaliado e reconhecido nesse ambiente, as chances de ser deixado de lado aumentam significativamente. No setor de saúde, reputação é sinônimo de qualidade no atendimento, e a maneira mais eficaz e econômica de fazer marketing, destaca.
