Tratamento com até 90% de resposta clínica muda cenário da peritonite infecciosa felina no Brasil  

Tratamento com até 90% de resposta clínica muda cenário da peritonite infecciosa felina no Brasil

Molnupiravir, manipulado pela DrogaVET, amplia o acesso terapêutico a uma das doenças mais letais da medicina felina

Uma das doenças mais devastadoras da clínica de felinos acaba de ganhar uma nova perspectiva no Brasil. O molnupiravir, antiviral internacionalmente estudado para o tratamento da peritonite infecciosa felina (PIF), já pode ser manipulado no país, ampliando o acesso a uma terapia com taxas de resposta entre 80% e 90% em estudos clínicos publicados, principalmente em casos não neurológicos. O percentual é semelhante ao observado com o uso do GS-441524, medicamento importado que, até então, era a principal referência terapêutica, mas cujo acesso é mais difícil, oneroso e burocrático.

“A PIF sempre foi uma das doenças mais temidas da medicina felina e tínhamos poucas alternativas terapêuticas realmente eficazes. Hoje, falar em uma taxa de remissão tão alta muda completamente o cenário para médicos-veterinários e responsáveis”, afirma a médica-veterinária e consultora técnica da DrogaVET, Farah de Andrade.

Um estudo clínico publicado no Journal of Veterinary Internal Medicine* (2023) mostrou que 14 de 18 gatos tratados com molnupiravir alcançaram remissão estável, com melhora da febre e do apetite já nos primeiros dias de terapia. Embora se trate de um estudo com número limitado de casos, o dado representa um marco para a medicina veterinária: “Quando observamos a recuperação de parâmetros clínicos nas primeiras semanas, é sinal de que estamos diante de uma ferramenta terapêutica consistente”.

O que é a PIF e por que ela é tão grave

A peritonite infecciosa felina é causada por uma mutação interna do coronavírus felino entérico (FCoV), vírus relativamente comum em ambientes com múltiplos gatos, como gatis e abrigos. A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, por meio do contato com fezes contaminadas, caixas de areia compartilhadas ou superfícies com alta carga viral.

A maioria dos gatos infectados pelo coronavírus entérico desenvolve quadros leves ou até assintomáticos. No entanto, em uma parcela estimada entre 5% e 12% dos casos, ocorre uma mutação viral que permite a replicação dentro de macrófagos, desencadeando uma resposta inflamatória sistêmica intensa, momento em que surge a PIF.

A doença possui duas apresentações clássicas: a forma efusiva (ou “úmida”) e a forma não efusiva (ou “seca”). A versão efusiva é marcada pelo acúmulo de líquido na cavidade abdominal ou torácica, provocando distensão abdominal, dificuldade respiratória e prostração. Já a forma seca pode acometer diversos órgãos, como fígado, rins, olhos e sistema nervoso central, resultando em sinais clínicos variados, como alterações neurológicas, uveíte, perda de peso progressiva e febre persistente que não responde à antibioticoterapia.

Gatos jovens, especialmente com menos de três anos, idosos, imunossuprimidos, positivos para FIV/FeLV e de raças como Abissínio, Bengal, Birmanês, Himalaio, Ragdoll e Rex tendem a apresentar maior predisposição.

O diagnóstico da PIF ainda é considerado desafiador, pois não existe um exame único e definitivo para todos os casos. A confirmação envolve a associação entre histórico clínico, exames laboratoriais, exames de imagem e, quando presente, análise do líquido cavitário. A detecção de RNA viral por RT-PCR em efusões ou tecidos associada à imunocitoquímica aumenta a especificidade diagnóstica.

“A suspeita clínica bem fundamentada é determinante para o início precoce do tratamento. Quanto antes iniciamos a terapia antiviral, maiores são as chances de uma resposta favorável”, explica a veterinária.

Molnupiravir personalizado: adesão como fator determinante

O molnupiravir é um pró-fármaco de uso controlado que induz erros no material genético do vírus, dificultando sua multiplicação e reduzindo a carga viral no organismo do gato. Ao bloquear a replicação, permite que o sistema imunológico recupere o controle da infecção e interrompa a progressão inflamatória sistêmica.

O protocolo terapêutico deve ser definido exclusivamente pelo médico-veterinário, considerando peso, forma clínica da doença e resposta individual do paciente, e requer acompanhamento clínico e laboratorial rigorosos. O tratamento é prolongado, geralmente tem duração de aproximadamente 84 dias, podendo variar conforme resposta clínica e envolvimento neurológico/ocular. Embora normalmente bem tolerado, o uso do molnupiravir requer monitoramento periódico devido a relatos de alterações hematológicas reversíveis.

Um dos grandes diferenciais da chegada do molnupiravir ao Brasil é a possibilidade de manipulação veterinária. Na DrogaVET, o medicamento pode ser preparado em diferentes formas farmacêuticas, como biscoitos, pasta oral e suspensão oleosa em dosagens personalizadas e flavorizadas, que facilitam a administração, fator determinante, considerando que felinos são notoriamente sensíveis ao manejo medicamentoso. “A personalização da dose ao peso exato do gato e a possibilidade de escolher a forma farmacêutica mais bem aceita fazem diferença concreta no sucesso de um tratamento de quase três meses que exige constância”, destaca Farah.

Além da PIF, o molnupiravir também vem sendo estudado para a gengivoestomatite crônica felina (GECF) associada ao calicivírus felino (FCV), com resultados preliminares promissores em estudos piloto.

Um novo capítulo na medicina felina

A chegada do molnupiravir manipulado ao Brasil não elimina a gravidade da PIF, mas altera profundamente sua perspectiva terapêutica. “Não se trata apenas de um novo medicamento, mas de uma nova possibilidade para gatos diagnosticados com uma doença de alta letalidade. Para os responsáveis, isso significa esperança real. Para os veterinários, significa autonomia e segurança terapêutica”, conclui Farah.

Sobre a DrogaVET

A DrogaVET está sempre em busca de soluções no segmento de manipulação veterinária, respeitando integralmente todos os princípios éticos que regem a produção de medicamentos e sua aplicabilidade em animais. Pioneira no segmento de farmácias de manipulação, a rede, que surgiu em 2004, já conta com mais de 100 unidades no Brasil, unindo tecnologia, inovação e o conhecimento de uma equipe altamente especializada de farmacêuticos e veterinários. Mais informações no site www.drogavet.com.br

Referências:

* SASE, O. Molnupiravir treatment of 18 cats with feline infectious peritonitis: a case series. Journal of Veterinary Internal Medicine, [S.L.], v. 37, n. 5, p. 1876-1880, 8 ago. 2023