Dia da Ressaca: quando a cura vira experiência e o copo vira ritual   

Dia da Ressaca: quando a cura vira experiência e o copo vira ritual  

Dia da Ressaca: quando a cura vira experiência e o copo vira ritual

Dia 28 de fevereiro é oficialmente o Dia da Ressaca, essa experiência que atravessa gerações, domingos e mensagens de “nunca mais bebo” enviadas aos amigos mais próximos. E se antes a cura vinha em forma de café forte, água de coco e silêncio, hoje ela ganhou novos contornos, mais criativos, mais sensoriais e, claro, mais interessantes.

Não por acaso, bares autorais como o Olga transformam a ressaca em narrativa. Aqui, ela não é combatida, é acolhida. O conceito da botica bar brinca com a ideia ancestral de que certos sabores, misturas e rituais têm poder quase terapêutico. Não no sentido médico, mas naquele lugar simbólico onde o corpo pede pausa, o humor pede ironia e a noite pede continuidade.

No cardápio do Olga, as chamadas “curas” aparecem como sopas, tônicos, garrafadas e elixires que misturam técnica de alta coquetelaria com memória afetiva. São drinks que carregam nomes sugestivos, ingredientes botânicos, infusões improváveis e aquela sensação de que alguém pensou exatamente em você quando decidiu que sim, dava para sair mesmo estando levemente acabado.

A Sopa de Tomatillo, releitura do Bloody Mary com tomate artesanal, conversa diretamente com o clássico remédio de ressaca. O Digestão, um tônico com vodka infusionada em louro, parece feito para quem quer acreditar que está se cuidando. Já o Cura X, servido como elixir, entrega exatamente o que promete no nome, nem que seja apenas em forma de conforto emocional.

Essa ideia de “cura” aparece no Olga muito mais como brincadeira e convite ao equilíbrio do que como promessa. O bar assume que beber bem não é sobre excesso, mas sobre saber o caminho, escolher a dose certa, o momento certo e a experiência certa.

Para Julio Perbichi, responsável pela coquetelaria da casa, tudo passa por consciência e prazer. “Não é a dose que ‘mata’, é a falta de atenção ao caminho. Quando você entende o que está bebendo, respeita o seu ritmo e escolhe bem a experiência, tudo flui melhor. A ideia do Olga é essa, criar drinks que acompanhem a noite, não que atropelem ela”, explica.

Esse olhar traduz um comportamento cada vez mais presente. O público não quer apenas beber, quer vivenciar, entender a história por trás do copo, rir de si mesmo e transformar até a ressaca em parte do ritual social. É menos drama, mais humor, menos exagero, mais intenção. No Olga, prazer e pausa convivem na mesma mesa, sempre com leveza e ironia.

O Olga acerta ao transformar esse momento pós exagero em algo quase lúdico. A fachada escondida, o clima de laboratório antigo, os objetos fora de lugar e os drinks com nomes de botica criam um espaço onde a noite não precisa ser perfeita, só precisa ser boa o suficiente para virar história no dia seguinte.

No fim, o Dia da Ressaca vira só mais um pretexto para celebrar uma tendência cada vez mais clara, bares que entregam narrativa, humor e memória, onde até o cansaço vira parte da experiência. Porque, convenhamos, se for para curar a ressaca, que seja com um bom drink, uma boa história e a sensação de que alguém pensou nisso tudo antes de você chegar.

Funcionamento e reservas

Com proposta de acesso limitado e clima de exclusividade, o Olga funciona em dias e horários comunicados pelas redes sociais. A capacidade éá de aproximadamente sessenta pessoas por noite, e as reservas são recomendadas para garantir a experiência completa.

O Olga chega para unir história, técnica, memória e humor em um só lugar. A casa é uma homenagem à boticária que acreditava que sabores e encontros poderiam curar o que pesa na rotina. Agora, essa filosofia ganha uma nova interpretação em pleno centro de Curitiba.

Serviço:

Olga

Endereço: Vicente Machado, 664

Horários: quinta, sexta e sábado das 19h à 01h

Reservas recomendadas - https://encurtador.com.br/pniB

Instagram: @olgaspeakeasy

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Amigos do HC doam novo sistema de neuronavegação para o Hospital de Clínicas

Amigos do HC doam novo sistema de neuronavegação para o Hospital de Clínicas

Amigos do HC doam novo sistema de neuronavegação para o Hospital de Clínicas

Repasse de R$ 1,5 milhão viabilizado pela MegaMania vai possibilitar a realização de cirurgias inéditas contra o Mal de Parkinson

O Complexo do Hospital de Clínicas da UFPR (CHC-UFPR) recebeu um importante reforço para o Centro Neurológico: a doação do sistema de neuronavegação StealthStation S8, da Medtronic. O equipamento, orçado em cerca de R$1,5 milhão, foi adquirido pela Associação dos Amigos do HC com recursos provenientes da MegaMania, consolidando uma parceria vital para a saúde pública.

O novo dispositivo substitui um modelo com quase dez anos de uso, que já era considerado ultrapassado. O neuronavegador atua como um guia de alta precisão em tempo real, permitindo que cirurgiões localizem estruturas cerebrais com exatidão por meio de exames de imagem, o que aumenta drasticamente a segurança dos procedimentos.

O presidente da Associação dos Amigos do HC, Ercílio Santinoni, ressalta a importância do repasse. “Toda vez que conseguimos fazer uma entrega desse porte, temos a certeza de que muitas vidas serão impactadas. É mais dignidade no atendimento, diagnósticos mais rápidos e maiores chances de cura. Estamos muito felizes com mais essa contribuição, que beneficiará a comunidade”, comemora Santinoni.

Fim da fila e novos tratamentos

Atualmente, o HC realiza cerca de 40 neurocirurgias mensais, das quais 40% necessitam desta tecnologia. Além de otimizar cirurgias de tumores e epilepsia, a grande novidade é a inclusão de um software para Estimulação Cerebral Profunda (DBS), funcionalidade que o aparelho antigo não possuía.

Simone Zanine, chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital de Clínicas, explica qual será o impacto direto na vida dos pacientes. "Na fila neurocirúrgica existem cerca de 25 pacientes portadores de tumores cerebrais e patologias vasculares que se beneficiarão do novo equipamento. O mais importante é a colocação de um software para DBS (estimulador profundo cerebral) para tratamento de Doença de Parkinson ou outros distúrbios de movimento, que não tínhamos no aparelho antigo", afirma.

A médica explica ainda que a doação permitirá que o hospital realize procedimentos que antes eram encaminhados para outras unidades: “Antigamente esses pacientes graves que precisavam desse procedimento eram encaminhados para outros hospitais. Agora o Hospital de Clínicas pode começar a fazer o procedimento", conclui a especialista.

Sobre a Associação dos Amigos do HC

Os Amigos do HC são uma Organização da Sociedade Civil (OSC) sem fins lucrativos, que há quase 40 anos atua na defesa de direitos e promoção da saúde. Seu compromisso consiste em melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes SUS, familiares e acompanhantes do Complexo Hospital de Clínicas da UFPR.

Desde 2016, também prestam assistência interdisciplinar para crianças e adolescentes vítimas de violências graves e gravíssimas por meio do Programa DEDICA – Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Em 2024, ampliaram a atuação com o lançamento do Programa PROTEGER, que passou a oferecer em Paranaguá o mesmo modelo de atendimento interdisciplinar realizado pelo DEDICA, em Curitiba. Além disso, desde 2021 mantém o Programa CEDIVIDA – Centro de Direitos à Vida da Pessoa Idosa, ampliando a atuação para a causa do envelhecimento digno.

Serviço:

Associação dos Amigos do HC

Endereço: Avenida Agostinho Leão Júnior, 336, Alto da Glória

Telefone: (41) 3091-1000

Site: https://www.amigosdohc.org.br/

A doação de um novo equipamento de neuronavegação, realizada pelos Amigos do HC, viabiliza cirurgias inéditas de Parkinson e otimiza o tratamento de tumores e epilepsia no Hospital de Clínicas. (Crédito: Beatriz Bordignon)

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Hospital Veterinário alerta para importância da quarentena em animais resgatados   

Hospital Veterinário alerta para importância da quarentena em animais resgatados  

Hospital Veterinário alerta para importância da quarentena em animais resgatados

O resgate de um animal em situação de rua é um gesto de compaixão, mas deve ser acompanhado de cuidados técnicos para evitar um risco sanitário. O Hospital Veterinário Municipal de Curitiba (HVMC) emite um alerta crucial a protetores e para a população: a quarentena é obrigatória antes de qualquer contato com um novo ambiente e com os Pets que irá conviver. O objetivo é conter a disseminação de doenças graves e muitas vezes fatais.

A principal preocupação das autoridades veterinárias reside na potencial disseminação de doenças altamente contagiosas. Muitos animais resgatados, embora aparentemente saudáveis, podem estar em período de incubação de patologias que colocam em risco a saúde dos animais que já vivem no lar.

O contato imediato deve ser evitado, conforme ressalta Rafael Binder, Diretor Clínico do Hospital Veterinário Municipal de Curitiba. “É fundamental orientar a população sobre a necessidade da quarentena após o resgate. Temos registrado um aumento significativo de casos de parvovirose e cinomose em nossa rotina. A mistura imediata de animais, sem a devida avaliação de doenças transmissíveis, é um risco que não podemos correr”.

A prática da quarentena é um pilar do protocolo de guarda responsável. Ao isolar o animal resgatado por um período determinado, o responsável garante que os sintomas de doenças como a parvovirose e a cinomose, que podem ser fatais, não se espalhem. Este cuidado é uma ferramenta vital para diminuir os danos causados pelo abandono e evitar o sofrimento animal.

Além do isolamento, o hospital reforça que a vacinação preventiva e a castração gratuita de cães e gatos, assim como o acompanhamento médico veterinário são passos indispensáveis após o resgate. Vale lembrar que o Paraná conta com o projeto Castra+Parana2, viabilizado pelo trabalho do deputado Delegado Matheus Laiola, que atua diretamente no suporte a esses casos.

Thayane Cristine Santos Vieira, responsável técnica pelo Hospital Veterinário Municipal de Curitiba, reforça a necessidade de vigilância e colaboração. “O primeiro Hospital Veterinário da capital é uma conquista para a Saúde Pública. Mas precisamos que a população colabore ativamente. Adotar ou resgatar exige o comprometimento em garantir a segurança sanitária de todos os envolvidos. Não misture os animais sem a devida avaliação clínica, finaliza”.

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Alto Giro lança coleção Outono 26 com peças assinadas por Thássia Naves e Sabrina Sato   

Alto Giro lança coleção Outono 26 com peças assinadas por Thássia Naves e Sabrina Sato  

Alto Giro lança coleção Outono 26 com peças assinadas por Thássia Naves e Sabrina Sato

Inspirada pelo movimento constante da vida, Conexão apresenta tecnologia avançada para valorizar a fusão entre corpo, mente e estilo

A Alto Giro apresenta ao mercado sua grande aposta para a próxima temporada: a coleção Outono 26 Conexão, que abrange uma vasta linha de produtos, além de uma seleção de peças que combinam cores e texturas para criar looks completos e coordenados. Com assinatura de Thássia Naves e Sabrina Sato, a coleção celebra a união entre mente e movimento, reforçando a moda como uma aliada essencial da busca pelo equilíbrio diário.

Uma das principais características da nova coleção é a aplicação de tecnologia inteligente aliada ao apelo sensorial. Inspiradas na natureza, as peças carregam uma estética humana, consciente e vibrante. "Mover-se é existir. Em um mundo que nunca desacelera, o corpo pede liberdade. Na Alto Giro, criamos para acompanhar esse ritmo: peças que unem tecnologia, conforto e moda. Pensadas para estimular o movimento e transformar o bem-estar em parte da rotina," afirma Josete Recco, fundadora e diretora de estilo da Alto Giro.

Para traduzir o espírito contemporâneo, celebrando a união entre corpo, mente e estilo, a Alto Giro quer transformar a roupa em uma extensão de quem a veste. O conceito central da coleção Conexão gira em torno da mulher moderna em seus múltiplos papéis. Cada detalhe foi desenhado para refletir força e liberdade, unindo conforto absoluto, sofisticação e design de performance. "A coleção Outono 2026 nasce da mistura de cores inusitadas, criando uma identidade envolvente, cheia de energia e expressão. Porque, quando o corpo se move, tudo flui", completa Josete.

Brisa by Thássia Naves

A Alto Giro reforça seu posicionamento de integrar a performance esportiva às principais tendências de moda por meio de uma colaboração estratégica com suas embaixadoras Thássia Naves e Sabrina Sato. Neste lançamento, a linha Brisa, uma das que compõem a Coleção Outono 26 assinada por Thássia Naves, aprofunda a relação de longa data entre a empresária e a marca.

Natural de Uberlândia e reconhecida mundialmente pela lista BoF 500 como uma das pessoas mais influentes da indústria da moda, Thássia imprime sua identidade em peças modernas e cheias de personalidade. A família foi desenhada para inspirar atitude, frescor e equilíbrio, acompanhando cada momento da rotina de quem não para.

De acordo com Vanessa Miho, coordenadora de estilo da Alto Giro, as peças da família Brisa foram pensadas para unir conforto, performance e expressão, traduzindo o bem-estar em movimento. “Texturas, cores e formas se conectam para criar peças que acolhem, despertam os sentidos e acompanham o ritmo do dia a dia com leveza. Com as cores mais vivas em contraste com bases neutras, criamos pontos de destaque que trazem energia e identidade às peças. Os detalhes ganham protagonismo, a textura canelada aparece como elemento-chave, reforçando sensorialidade e conforto, enquanto as estampas laterais, inspiradas em grafismos que remetem ao xadrez, adicionam informação de moda e assinatura visual, com a presença da logo AG de forma sutil e ligada à tendência”, afirma Vanessa.

Esta união conecta a curadoria refinada de Thássia à personalidade vibrante de Sabrina, consolidando o compromisso da marca em oferecer peças que unem funcionalidade e estilo com máxima expressão. A família Brisa será apresentada oficialmente no dia 23 de fevereiro e, posteriormente, haverá o lançamento da linha assinada por Sabrina Sato, com lançamento em março.

Sobre a Alto Giro

Referência no segmento de moda fitness premium, a Alto Giro tem 42 anos de história e nove lojas próprias. Fundada em 1983, a empresa paranaense alia conforto no vestir e alta performance, lançando coleções assinadas por celebridades como Sabrina Sato e Thássia Naves e atletas renomados do esporte nacional como André Baran, Marcelo Melo e Marcela Vita.

Embaixadora da Alto Giro, Thássia Naves assina a linha Brisa, que integra a Coleção Outono 26. (Crédito: Gabriela Schmidt)

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Programa fortalece viticultura de Colombo e resgata parreiras centenárias  

Programa fortalece viticultura de Colombo e resgata parreiras centenárias

Em seu terceiro ano, iniciativa conta com 18 produtores atendidos, inovação técnica, valorização cultural e cria bases para futura Indicação Geográfica

O cultivo de uvas é um pilar econômico de Colombo, município localizado na Região Metropolitana de Curitiba. A produção histórica ganhou novo fôlego com o Programa Resgate do Patrimônio Vitícola, iniciativa promovida pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, em parceria com o Sebrae/PR. Em seu terceiro ano, o trabalho alia diagnóstico técnico, capacitação, manejo sustentável e valorização de parreiras centenárias para transformar herança cultural em estratégia de desenvolvimento econômico.

A proposta que envolve 18 produtores, vai além da assistência técnica: estrutura a cadeia produtiva, qualifica a gestão e posiciona a viticultura como vetor de geração de renda, turismo e fortalecimento territorial.

Segundo o secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Jerônimo Strapasson, é uma política pública estratégica por conectar identidade histórica, agricultura familiar e desenvolvimento sustentável. Ele destaca que a viticultura faz parte da formação cultural do município, ligada à colonização italiana, e que o projeto transforma esse patrimônio em vetor de renda e fortalecimento produtivo.

“O programa permite que a tradição deixe de ser apenas um legado cultural e se consolide como atividade econômica estruturada”, afirmou. Ele acrescentou que a parceria com o Sebrae trouxe visão de mercado, capacitação em gestão e profissionalização dos produtores, integrando tradição e empreendedorismo.

Para a consultora do Sebrae/PR, Aline Geani Barbosa dos Santos, é um exemplo de como a tradição e a inovação podem caminhar juntas. Ela destaca que o papel da instituição foi estruturar a cadeia produtiva, oferecer capacitação em gestão e mercado e apoiar estratégias de diferenciação territorial.

“Quando unimos conhecimento técnico, empreendedorismo e identidade cultural, fortalecemos não apenas a produção, mas todo o território”, afirmou Aline.

O Sebrae/PR também atuou na estruturação da visão de longo prazo do programa, apoiando a construção de estratégias voltadas à diferenciação de mercado, fortalecimento da marca territorial e organização da cadeia produtiva. Além das consultorias individuais nas propriedades, foram promovidas capacitações em gestão, planejamento, formação de preço, posicionamento e acesso a mercados, estimulando os viticultores a enxergarem a atividade como negócio estruturado e competitivo.

Segundo Aline, outro eixo relevante é o incentivo à inovação com base na identidade local. Ela explica que, ao integrar produtores, poder público e instituições de pesquisa, favorece a transformação do resgate histórico das parreiras centenárias em um ativo econômico, com potencial para futuras estratégias de Indicação Geográfica e para a consolidação do enoturismo.

Diagnóstico técnico

A engenheira agrônoma - doutora em Produção Vegetal e responsável técnica pelo programa, Francelize Chiarotti, explica que o trabalho começou com um diagnóstico detalhado em 18 propriedades, por meio de visitas in loco e entrevistas com famílias tradicionais e produtores que desejavam retomar a atividade.

Foram avaliados critérios como idade das parreiras, cultivares, sistemas de manejo, sanidade, produtividade e relação histórica das famílias com a viticultura.

“Nosso papel foi compreender a realidade atual da viticultura de Colombo, integrar conhecimento científico à prática local e valorizar as parreiras mais antigas, mantidas por gerações”, destacou Francelize.

Entre os principais achados estão parreirais com até 130 anos, com elevada rusticidade e adaptação ao solo e clima da região. Para a engenheira, essas plantas representam patrimônio genético e cultural de alto valor.

Resultados expressivos

Nos três anos de execução, são apontados avanços na assistência técnica, recuperação de parreirais e adoção de boas práticas de manejo da uva. O município, segundo a Prefeitura, contabiliza dezenas de produtores ativos e centenas de toneladas de uva movimentadas anualmente, com crescimento na produção de derivados como vinhos artesanais, sucos e produtos coloniais.

Em 2025, o Programa Resgate do Patrimônio Vitícola apresentou avanços concretos na estrutura produtiva do município. A área cultivada saltou para 32,5 hectares, um acréscimo de 4,5 hectares em relação ao início do projeto. Também houve crescimento expressivo na produção orgânica, que passou de uma para três propriedades, ampliando a área cultivada nesse sistema de 1 hectare para 3 hectares. Além disso, três propriedades retomaram o cultivo de uva, reforçando o movimento de reativação da atividade no território.

Sucessão familiar

Outro dado relevante é o fortalecimento da sucessão familiar. Três jovens passaram a atuar diretamente nas áreas orgânicas e outros quatro ingressaram nas áreas convencionais, indicando renovação geracional em um setor que, historicamente, enfrenta desafios de continuidade. No campo técnico, os manejos foram aprimorados, com adoção de práticas como cobertura de solo, poda adequada, desfolha, desponte e implantação de calendário fitossanitário.

Controle de pragas

O controle da praga pérola-da-terra foi implementado em 100% das áreas e todas as 18 propriedades realizaram análise de solo, qualificando o planejamento produtivo.

"Embora a produtividade ainda não possa ser mensurada de forma definitiva, pois depende de variáveis climáticas e fitossanitárias, as áreas orgânicas surpreenderam ao registrar produção simbólica com apenas um ano e quatro meses de implantação, quando o ciclo normal indicaria início produtivo apenas entre dois anos e meio e três anos", explica a engenheira agrônoma Francelize Chiarotti.

Ela acrescenta que, entre 2024 e 2025, novas ações ampliaram o caráter inovador da iniciativa. Destacam-se a caracterização da uva Terci, testes com ácido giberélico, análises sensoriais de vinhos coloniais e a multiplicação de mudas históricas provenientes das parreiras centenárias.

"O conjunto dos resultados demonstra uma evolução estruturada e contínua entre 2023 e 2025, marcada pela ampliação das áreas produtivas, fortalecimento da produção orgânica, qualificação técnica e valorização histórica da viticultura de Colombo, consolidando bases sólidas para um desenvolvimento sustentável e de longo prazo", enfatiza.

Uva de Colombo

Um dos desdobramentos mais emblemáticos do projeto é a investigação da chamada “uva de Colombo”. Embora análises ampelográficas(estudo técnico-científico focado na identificação, classificação e descrição das variedades de videiras) realizadas pela Embrapa Uva e Vinho tenham identificado as plantas como da cultivar Bordô, produtores sempre afirmaram que havia diferenças.

A partir dessa percepção, foram iniciados estudos fenológicos e análises físico-químicas que já apontam distinções relevantes.

“Estamos começando a comprovar que há diferenças. Isso reforça a singularidade dessa produção e a possibilidade de consolidar uma identidade própria”, afirmou Francelize.

Paralelamente, o projeto realizou a seleção de uma parreira centenária considerada matriz, com coleta de estacas e encaminhamento ao IDR-Paraná para verificação sanitária, multiplicação e enxertia. Parte das mudas retornará aos produtores ainda este ano, garantindo a preservação e a disseminação desse material genético.

“O estudo dos clones fortalece a identidade produtiva do município, aumenta a resiliência dos vinhedos e abre caminho para estratégias como a Indicação Geográfica”, ressaltou.

Tradição familiar e renovação

Entre os exemplos que simbolizam essa nova fase da viticultura colombense está Eliton Ceccon, que trocou a engenharia civil pelo campo. Formado há seis anos, ele atuava na área de projetos, quando decidiu retornar à propriedade da família. A aproximação com a iniciativa foi decisiva: ao conhecer as possibilidades de manejo orgânico e alternativas para enfrentar desafios como a pérola-da-terra, enxergou viabilidade técnica onde antes havia frustração. A ligação afetiva com a Festa da Uva, frequentada desde a infância ao lado do avô, que participava desde a primeira edição, também pesou na decisão.

“Desde pequeno eu dizia que a gente precisava voltar a plantar uva. Quando surgiu o projeto e vi que era possível produzir no sistema orgânico, decidi assumir essa responsabilidade”, afirma. Hoje, no segundo ano do parreiral, já colheu 1,5 tonelada e projeta alcançar cerca de cinco toneladas quando atingir a produção plena.

Eliton comercializa parte da sua produção no Mercado Municipal de Curitiba e na Festa da Uva, enquanto o excedente é destinado à produção de sucos e geleias. Ele acrescenta que o próximo passo é estudar enologia e estruturar uma agroindústria própria para lançar vinhos com identidade local, especialmente quando receber a muda do clone da parreira centenária. “Quero produzir vinho com as uvas de Colombo. Mostrar que sempre tivemos capacidade de produzir aqui”, reforça.

Já a história de Valdirene Batistão, filha do Bruno Raul Batistão, que mantém o vinhedo mais antigo da cidade, confunde-se com a própria formação de Colombo. As parreiras, segundo ela, vieram da Itália nos navios dos bisavós, há cerca de 130 anos.

“Minha nona contava que os galhos atravessaram o oceano e sobreviveram. Muitos imigrantes não resistiram à viagem, mas as videiras chegaram e continuam fortes até hoje”, relata Valdirene. A propriedade, conduzida pelo pai de 82 anos, preserva o cultivo tradicional e produz pouco mais de uma tonelada por safra.

A produtora afirma que participar do programa de Resgate do Patrimônio Vitícola trouxe novos conhecimentos de manejo, poda e cuidados fitossanitários, além de ampliar perspectivas de negócio. “A produção aumentou e aprendemos muito. Isso dá ânimo e orgulho para continuar”, diz.

Valdirene também destaca o valor emocional das parreiras para o pai, que enfrentou tratamento contra o câncer e encontrava forças no trabalho diário no vinhedo. Agora, a família prepara um novo parreiral com mudas das centenárias, ampliando a preservação desse patrimônio genético e histórico. “É um orgulho imenso saber que essa história vai continuar e se espalhar pela cidade”, afirma.

Festa da Uva ganha protagonismo local

Neste ano, Colombo realizou a 59ª edição da tradicional Festa da Uva. Com o programa, o fortalecimento da cadeia produtiva tem reflexo direto no evento, que passou a contar com maior participação de produtores locais e valorização do produto genuinamente colombense.

De acordo com o secretário Jerônimo, o monitoramento realizado a partir do diagnóstico técnico permitiu mapear a capacidade produtiva do município, ampliando o protagonismo do agricultor local na comercialização durante a festa. “A Festa da Uva deixou de ser apenas um evento cultural e se consolidou também como vitrine de negócios”, afirmou.

Ao integrar produção, ciência, inovação e memória, o Programa Resgate do Patrimônio Vitícola projeta Colombo para além da tradição. O que começou como preservação de parreiras antigas se consolidou como estratégia de desenvolvimento rural, valorização cultural e posicionamento econômico com raízes profundas e olhar voltado para o futuro.

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