Setembro amarelo: Vício em tecnologia compromete a saúde mental

Setembro amarelo: Vício em tecnologia compromete a saúde mental

Setembro amarelo: Vício em tecnologia compromete a saúde mental

Professor de Psicologia do UniCuritiba explica como o uso excessivo de aplicativos, jogos e redes sociais acentua casos de ansiedade e depressão

Mais da metade dos brasileiros não consegue ficar um dia inteiro longe do celular, aponta o IBGE. Segundo o levantamento, 16% dos brasileiros admitem que o uso de smartphones prejudica o trabalho e afeta relacionamentos familiares.

Para 12%, a dependência da internet leva a distrações no trânsito e 9% dos entrevistados reconhecem que o uso excessivo da tecnologia causa problemas de saúde, influencia negativamente nos estudos (8%) e compromete a vida sexual (6%).

Um estudo da Hibou Pesquisa e Insights é ainda mais preocupante: 56% dos brasileiros não ficam longe do smartphone por mais de uma hora. Por isso, no mês dedicado à saúde mental e à prevenção ao suicídio, o psicólogo Guilherme Alcântara Ramos alerta: a tecnologia é viciante e causa uma sensação imediata de bem-estar, mas o excesso tem efeitos negativos à saúde mental a médio e longo prazo.

“A internet, em especial as redes sociais, e os jogos eletrônicos são programados para oferecer conteúdo de interesse para o usuário e, assim, captar a atenção. Isso consome muito do nosso tempo e nos leva a negligenciar os cuidados com a saúde, com as emoções e com os relacionamentos”, diz o especialista.

Mestre em Análise do Comportamento e professor do curso de Psicologia do UniCuritiba, Guilherme diz que o primeiro passo para identificar o desequilíbrio no uso de tecnologias e da internet é avaliar as mudanças nos hábitos e comportamentos. “Uma criança que faz uso exagerado de celular, tablet ou computador deixa de brincar com outras crianças e de aperfeiçoar habilidades sociais. O efeito nos vínculos de amizade não demora a aparecer.”
A situação é tão preocupante que o vício em internet é considerado um transtorno de dependência. No caso específico dos jogos eletrônicos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) compara o problema à dependência química, com consequências físicas e mentais semelhantes.

O risco das tecnologias digitais

Estudos internacionais mostram os riscos da utilização exagerada das tecnologias na saúde mental. Pesquisadores da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, constataram que adolescentes excessivamente expostos a dispositivos eletrônicos manifestam com mais frequência sinais de insatisfação com a vida, infelicidade e problemas de autoestima.

O comportamento suicida entre usuários de tecnologia e internet também tem sido alvo de estudos. Na Universidade de Oxford, pesquisadores analisam a relação entre práticas de autolesão e atividades online, como navegação na internet, tempo gasto em redes sociais e visitação em sites sobre suicídio.

O desafio da Psicologia, aponta o professor Guilherme Alcântara Ramos, do UniCuritiba, está em dosar o uso das tecnologias, já que elas fazem parte das rotinas de trabalho, estudo, lazer e interação. “O fato de a internet ser muito acessível facilita o uso irrestrito e dificulta o controle dos efeitos negativos no bem-estar ou na saúde mental e emocional.”

Frustração, ansiedade e depressão

A falsa impressão de vidas perfeitas passada pelas redes sociais está adoecendo as pessoas. A exposição constante a imagens de corpos perfeitos, padrões de vida elevados, luxo, viagens e sofisticação é um dos principais fatores para a redução da autoestima e o sentimento de inferioridade.

Associado a isso está a ansiedade e à depressão. Um estudo com dez mil jovens canadenses revelou que quem passa mais de cinco horas diárias em redes sociais tem mais de 50% de chances de sofrer de depressão.

Dicas para equilibrar o uso

Ter a mão um aparelho multitarefas, como o smartphone, pode ser vantajoso para quem sabe administrar o tempo e tem autocontrole. O problema é quando o uso das tecnologias priva as pessoas de encontros presenciais e impedem o fortalecimento dos laços sociais.

“Estamos permanentemente em contato com pessoas graças à internet, mas a intensidade do vínculo é superficial. A tecnologia pode ser benéfica ou prejudicial e tudo vai depender da forma como é utilizada”, diz o professor Guilherme.

Para alcançar o equilíbrio, o psicólogo sugere que o usuário reflita sobre o tempo gasto nas redes sociais e na internet. “O que eu proponho é uma reflexão sobre o uso da tecnologia e seus impactos nos projetos pessoais e profissionais, nas expectativas, sonhos e projetos. O exagero leva ao imediatismo, mas se o uso das tecnologias não estiver vinculado aos projetos de vida, não contribuirá para o sucesso e o bem-estar.”

Desintoxicação gradativa

A forma como as pessoas utilizam o celular e o tempo que passam conectadas à internet têm total influência na saúde mental, assim como a qualidade da informação consumida. Ainda que os aparelhos mais modernos tenham dispositivos para mensurar o bem-estar digital e bloquear o uso de aplicativos após determinado período, as pessoas enfrentam dificuldades para se desconectar.

Apesar da necessidade de equilibrar o uso de tecnologia em prol da saúde mental, o psicólogo Guilherme Alcântara Ramos avisa: o processo de desintoxicação precisa ser gradual.

“Quem tem o hábito de usar a tecnologia por horas e horas todo dia terá dificuldades de fazer reduções drásticas. A dica é diminuir gradativamente o tempo de conexão, substituindo o uso da internet por outras atividades prazerosas.”

O primeiro passo é avaliar a real necessidade do uso da tecnologia para o trabalho e o estudo. Estimar, de fato, quanto ela é essencial para o sucesso profissional, os relacionamentos sociais, a interação com amigos e familiares. “Não tem problema utilizar a tecnologia, desde que seja de forma adequada e coerente aos objetivos pessoais, sem interferência no bem-estar, na socialização e na qualidade de vida”, ensina o professor do UniCuritiba.

Importância de pedir ajuda

Se estabelecer limites para o uso diário de tecnologia, seja o acesso à internet, redes sociais ou jogos eletrônicos, for complicado, a dica é pedir ajuda. O cuidado deve começar na infância e os pais devem impor regras.
Segundo a Associação Pan-Americana da Saúde (Opas), 50% dos problemas relacionados à saúde mental têm origem adolescência, por volta dos 14 anos, levando à prevalência da depressão em adultos jovens.

O comportamento de crianças, adolescentes e jovens serve de alerta, em especial se ocorrerem alterações frequentes de humor. Tristeza e raiva súbitas são indicativos de que algo está errado, assim como o hábito de relembrar, com frequência, experiências ruins do passado.

Outros sinais envolvem a obsessão por problemas (quando a pessoa não consegue visualizar uma solução para resolver o que incomoda), insinuações verbais sobre a falta de expectativa no futuro, consumo abusivo de álcool e drogas, isolamento social e ideação suicida.

Nestes casos, segundo o psicólogo Guilherme Alcântara Ramos, estudioso de educação e saúde mental, a melhor estratégia é recorrer a um especialista, que saberá orientar sobre as estratégias para vencer o vício em tecnologia e conduzir o tratamento contra a ansiedade ou a depressão.

Sobre o UniCuritiba

Com mais de 70 anos de tradição e excelência, o UniCuritiba é uma instituição de referência para os paranaenses e reconhecido pelo MEC como uma das melhores instituições de ensino superior de Curitiba (PR). Destaca-se por ter um dos melhores cursos de Direito do país, com selo de qualidade OAB Recomenda em todas as suas edições, além de ser referência na área de Relações Internacionais.

Integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima, o UniCuritiba conta com mais de 40 opções de cursos de graduação em todas as áreas do conhecimento, além de cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado.

Possui uma estrutura completa e diferenciada, com mais de 60 laboratórios e professores mestres e doutores com vivência prática e longa experiência profissional. O UniCuritiba tem seu ensino focado na conexão com o mundo do trabalho e com as práticas mais atuais das profissões, estimulando o networking e as vivências multidisciplinares.

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Falência do fígado e danos renais: entenda riscos do uso frequente do paracetamol   

Falência do fígado e danos renais: entenda riscos do uso frequente do paracetamol  

Falência do fígado e danos renais: entenda riscos do uso frequente do paracetamol

Medicamento encontrado em 9 de cada 10 casas de brasileiros pode causar complicações perigosas ao corpo humano se usado inadvertidamente

Um dos medicamentos mais consumidos em todo o mundo, o paracetamol serve para aliviar dores de cabeça e musculares, bem como para combater cólicas, dor de dente, dor de garganta e febre. Entretanto, apesar de ser encontrado em qualquer farmácia e poder ser adquirido sem prescrição médica, o uso desenfreado e prolongado desse medicamento pode ser muito perigoso para a saúde.

Isso porque o paracetamol possui algumas substâncias que, dependendo do organismo da pessoa, podem não ser metabolizadas adequadamente pelo fígado, resultando em danos às células hepáticas. “Quando consumido de forma excessiva, esse medicamento pode levar a um quadro de hepatotoxicidade aguda, que pode progredir para insuficiência hepática e falência do órgão”, detalha a médica de Família e Comunidade e professora do curso de Medicina da Universidade Positivo (UP), Nathalie de Paula Damião, alertando ainda que, além dos danos ao fígado, o uso exagerado do paracetamol pode causar problemas renais, reações alérgicas e outras complicações. “Algumas pessoas podem desenvolver reações alérgicas, como feridas na pele, coceira, inchaço e dificuldades respiratórias, além de afetar a produção de glutationa, um antioxidante importante para a saúde celular e função hepática.”

Mesmo sendo um dos remédios mais utilizados no planeta por décadas, inúmeros cientistas já declararam que o mecanismo de ação do paracetamol ainda não foi completamente compreendido. No entanto, o medicamento continua sendo amplamente consumido como analgésico, por conta de diversos fatores. “O paracetamol tem demonstrado eficácia no alívio de dores leves a moderadas em muitas pessoas. Sua ação rápida e eficaz o torna uma escolha popular. Quando utilizado nas doses recomendadas, o medicamento geralmente é seguro e tem uma baixa incidência de efeitos colaterais em comparação com outros analgésicos”, aponta Nathalie. Ela ainda destaca outros pontos positivos, como a atuação no sistema nervoso central, que afeta a percepção da dor e a regulação da temperatura; sua baixa atividade anti-inflamatória, que pode ser vantajosa em situações em que a redução da inflamação não é necessária; a variedade de formas de administração - comprimidos, cápsulas, líquidos e supositórios -, facilitando a adaptação a diferentes pacientes; e sua ampla disponibilidade, visto que é encontrado em todo o mundo e sem a necessidade de receita médica na maioria dos países.

Além disso, mesmo sem ter o seu mecanismo de ação completamente esclarecido, a eficácia do paracetamol é comprovada por meio de ensaios clínicos controlados, nos quais o medicamento é comparado a um grupo que recebe placebo ou outra intervenção ativa. “Nessas avaliações, o paracetamol mostrou ser mais eficaz que o placebo no alívio da dor. Porém, é importante lembrar que a eficácia do medicamento pode variar entre indivíduos e tipos de dor. Algumas pessoas podem responder melhor ao remédio do que outras”, revela.

A especialista esclarece que existem vários outros medicamentos que podem ser mais eficazes que o paracetamol em determinadas situações de dor ou febre. A escolha do fármaco adequado depende do tipo de dor, da gravidade dos sintomas, das condições médicas individuais do paciente e outros fatores. “Alguns remédios frequentemente considerados como alternativas ao paracetamol incluem anti-inflamatórios, opióides e outros analgésicos. Lembrando que a escolha do medicamento deve ser feita por um profissional de saúde, considerando a avaliação clínica e as condições específicas do paciente”, finaliza Nathalie, ressaltando que, em geral, o paracetamol é seguro e eficaz quando utilizado da forma correta e sem exageros, assim como todo medicamento.

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Aprendizado deve começar antes mesmo da escola, diz especialista   

Aprendizado deve começar antes mesmo da escola, diz especialista  

Aprendizado deve começar antes mesmo da escola, diz especialista

Protagonismo infantil precisa ser trabalhado em casa, desde os primeiros dias de vida

Sempre que uma criança está brincando, ela está aprendendo. Não é à toa que o brincar está previsto, inclusive, na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que rege os conteúdos a serem trabalhados ao longo de toda a vida escolar, seja nas escolas públicas, seja nas privadas. Mas a aprendizagem significativa vai muito além do brincar na escola e precisa ser trabalhada também quando a criança está em casa.

Curiosidade e encantamento são características comuns às crianças. Por isso, é preciso saber como aproveitar essas características para estimular o protagonismo infantil. Para a pedagoga e gerente pedagógica da Conquista Solução Educacional, Alessandra Wsolek, esse é o momento ideal para gerar nas crianças a competência de aprender a aprender. “A aprendizagem significativa promove o desenvolvimento integral da criança e deve considerar seus conhecimentos prévios. A criança não é uma tábula rasa, ela é fruto de um contexto e traz consigo muitos saberes”, explica.

A infância é um momento essencial para o desenvolvimento do ser humano. Esse momento terá consequências na sua vida adulta, em ser um ser curioso, que aprende e se entende como alguém potente ou um ser que procura pouco pelo aprendizado e se entende como uma pessoa limitada. O aprender faz parte da vida e deve ser estimulado desde o nascimento. Não é à toa que, segundo a lei brasileira, todas as crianças devem estar matriculadas no primeiro ano da pré-escola no máximo até os quatro anos de idade. É nessa fase que ela precisa, necessariamente, começar a conviver com outras crianças, desenvolvendo assim habilidades socioemocionais que serão usadas ao longo de toda a vida. Mas o aprender, em si, segundo a especialista, começa muito antes, logo que ela nasce.

Direitos da criança

Mais que uma formalidade, a aprendizagem adequada à idade é um direito da criança. De acordo com a BNCC, os pequenos têm direito a brincar, explorar, conviver, participar e conhecer-se. Como explica Alessandra, “é no brincar que ela vai levantar hipóteses, conhecer e perguntar sobre o mundo. Quando ela explora, amplia repertórios e conhece diferentes conexões. Expressando, trabalha com múltiplas linguagens, como a arte, o teatro, a dança, a música, a escrita, a matemática e a linguagem corporal”. Para ela, o conviver é importante para ouvir diferentes opiniões, aprender a se frustrar e cooperar, enquanto o participar traz o trabalho com a colaboração, elaboração de ideias, espera e escuta ativa. Por fim, o conhecer-se é voltado ao autoconhecimento e à autoestima.

Todos esses pontos começam a ser construídos ainda antes da escola, em casa, com os pais ou responsáveis, com a família mais próxima e os conhecidos. “Os princípios dessa sequência são os conhecimentos prévios, levando em consideração a zona de desenvolvimento proximal. Na relação com o outro é que se aprende e, nessas relações, a criança vai fazendo um trabalho em espiral e aprofundando esse conhecimento conforme tem experiências significativas”, detalha a especialista.

Como estimular o desenvolvimento em casa?

Incentivar o aprender a aprender desde os primeiros anos de vida é uma missão que requer alguns recursos específicos. Em primeiro lugar, é preciso oferecer aos pequenos materiais diversos com os quais eles possam usar a imaginação na hora de brincar. Citando Rubem Alves, Alessandra lembra que é dever do adulto olhar e potencializar “o olhar da criança e a capacidade que ela tem de se assombrar diante do banal”.

Nesse sentido, interagir, brincar junto com a criança e envolver-se nas atividades que ela desenvolve em casa é muito importante. Na escola isso deve ser feito seguindo uma estratégia pedagógica planejada pelos professores junto à equipe, mas, em casa, também é possível contribuir com esse trabalho. Os pais ou responsáveis devem possibilitar às crianças momentos de brincar, de estar em contato com a natureza para que elas ampliem seu conhecimento de mundo.

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Esvaziar a bexiga antes de entrar no carro pode salvar a sua vida   

Esvaziar a bexiga antes de entrar no carro pode salvar a sua vida  

Esvaziar a bexiga antes de entrar no carro pode salvar a sua vida

As complicações mais comuns causadas por segurar a vontade de ir ao banheiro já são de conhecimento público há algum tempo, como a incontinência urinária e a infecção de bexiga, por exemplo. Entretanto, segurar o xixi ao andar de carro pode ter consequências mortais. Isso porque andar de carro com a bexiga cheia, principalmente em alta velocidade, como é o caso de dirigir em estradas durante viagens, aumenta o risco de ruptura do órgão no caso de um acidente automobilístico, conforme explica a doutora em Ciências da Saúde e professora do curso de Medicina da Universidade Positivo (UP), Mariane Rigo Laverdi. “Em caso de acidente, o risco de a bexiga estourar e causar uma infecção generalizada (sepse) é muito maior”, alerta a doutora, apontando que a fratura pélvica é a lesão mais comum associada ao rompimento da bexiga.

A especialista aponta que a mortalidade desse tipo de acidente geralmente está mais associada aos traumas em outros órgãos; no entanto, a pressão de uma bexiga cheia pode, sim, aumentar a possibilidade do rompimento ou perfuração da própria bexiga, em caso de acidentes. “Esses tipos de traumas podem acontecer mesmo com a bexiga vazia, porém, a bexiga cheia pode agravar essas complicações no momento da colisão”, ressalta.

Quando vazia, a bexiga fica atrás do púbis, osso acima da região genital. Ao se encher, a bexiga fica mais tensa e ultrapassa os limites do púbis em direção ao umbigo, o que facilita um rompimento em caso de impacto na barriga - que pode ser causado pelo próprio cinto de segurança, airbag ou, pior, se a pessoa for projetada para frente do veículo por estar sem cinto.

"Quando a bexiga está vazia, o osso da bacia pode romper ou perfurar o órgão. Mas, quando cheia, ela pode estourar e deixar a urina vazar para dentro da cavidade abdominal mesmo com traumatismo de menor impacto e sem fratura do osso", esclarece Mariane. Se isso acontecer, a urina pode facilmente ser infectada por bactérias e causar sepse, doença responsável por uma a cada cinco mortes em todo o mundo.

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Cinco dicas eficazes para incentivar crianças a desenvolverem autonomia desde cedo   

Cinco dicas eficazes para incentivar crianças a desenvolverem autonomia desde cedo  

Cinco dicas eficazes para incentivar crianças a desenvolverem autonomia desde cedo

Especialistas dão dicas sobre como os pais, com o auxílio dos educadores, devem agir para ajudar no desenvolvimento das crianças

Educar filhos em uma era de tanta informação e mudanças constantes tem sido um desafio para pais que, frequentemente, se sentem perdidos, sem saber qual é o melhor caminho e abordagem a adotar. No que diz respeito à proteção e cuidados diários, essa preocupação por vezes prejudica uma etapa importante do desenvolvimento infantil: a aquisição da independência na infância. Exercitar a autonomia desde cedo é fundamental para o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional da criança. Uma criança que é autônoma tem maiores probabilidades de se tornar um adulto confiante e bem-sucedido, pois desde cedo ela desenvolve independência e capacidade de tomar decisões por conta própria.

Segundo a psicóloga educacional do Colégio Positivo, Marina Tissot, é comum nas reuniões escolares observar pais e mães, especialmente aqueles que são pais de primeira viagem, cheios de dúvidas sobre como podem ajudar seus filhos. "Normalmente, os pais se perguntam 'O que eu posso deixar a criança fazer sozinha?', 'Como posso ajudar sem comprometer a iniciativa deles?' ou 'Não é arriscado?'. Essas são dúvidas bastante comuns, e nosso papel como educadores é orientar esses pais sobre como seguir esse caminho, proporcionando à criança a oportunidade de explorar e experimentar com uma mediação adequada", explica Marina.

A psicóloga alerta para o fato de que, diante de uma rotina cada vez mais acelerada das famílias, algumas etapas e oportunidades de experimentação acabam comprometidas. "No momento da refeição, por exemplo, o ideal é permitir que a criança tente comer sozinha, com incentivo dos pais. Esse é o momento em que ela pode experimentar manusear o garfo, espetar a comida e levar o alimento à boca. Tudo isso contribui para um desenvolvimento motor extremamente importante para a criança. Sabemos que, muitas vezes, devido à falta de tempo e à correria comum a todas as famílias, isso não é feito. O mesmo ocorre em outros momentos da rotina da criança, como se vestir ou escovar os dentes", lamenta a profissional.

Por isso, o papel da escola em apoiar as famílias é tão crucial. Para a professora de Educação Infantil do Colégio Positivo e mãe de dois meninos, Fabiane Karen Marques, a escola tem a responsabilidade de criar um ambiente seguro e propício para a aprendizagem, com foco na obtenção da autonomia das crianças. "O exercício da autonomia se dá em um contexto em que o processo de ensino e a aprendizagem leva a criança a compreender por si mesma esse aprendizado. A escola deve fornecer um ambiente e materiais adequados para atender às necessidades educacionais e motoras, e o professor deve estar preparado para mediar de forma adequada esse processo, sem interferir desnecessariamente, inibindo ou desperdiçando chances para a criança experimentar, aprender e se desenvolver por conta própria", destaca Fabiane.

A educadora reforça que o desenvolvimento da autonomia deve ser priorizado desde a primeira infância. "Nessa fase, que abrange do nascimento aos 6 anos, o cérebro está em pleno desenvolvimento. As experiências, tanto positivas quanto negativas, que a criança vivencia terão repercussões ao longo de toda a vida adulta. Já nascemos com curiosidade e uma vontade de explorar o mundo - mesmo quando somos bebês - e isso não deve ser inibido", adverte Fabiane. A professora destaca ainda que os pais devem estar atentos a essa janela de oportunidade. "As crianças aprendem com muito mais facilidade que os adultos. Precisamos permitir que, durante a infância, elas aproveitem o momento ideal e oportuno para a aprendizagem e o desenvolvimento. Quando falamos de autonomia, não estamos nos referindo apenas à habilidade motora e à capacidade de executar tarefas sozinhas. A autonomia também abrange saber lidar com frustrações, comunicar-se bem, trabalhar em equipe e ter a coragem de superar limites. E tudo isso deve começar a ser cultivado e desenvolvido desde a primeira infância", argumenta.

Para ajudar as famílias nesse processo, as profissionais listaram cinco dicas eficazes para incentivar as crianças a desenvolverem a autonomia desde cedo.

Confiança

É essencial encorajar as crianças a realizarem tarefas e a explorarem situações, permitindo que desenvolvam autoconfiança e autoestima. "É comum que os pais, por instinto de proteção, acabem incutindo medos nos filhos com frases como 'Não faz isso, é perigoso' ou então 'Cuidado, você vai se machucar'. É claro que devemos garantir a segurança delas, mas isso não pode impedir que a criança seja estimulada a experimentar situações que possam contribuir para seu desenvolvimento", reforça Marina.

Respeito

Os adultos devem demonstrar que consideram e respeitam as escolhas e ações das crianças. Para isso, é preciso ouvi-las. "Os pais devem observar atentamente e escutar seus filhos. A criança sempre dará sinais, demonstrará de alguma forma que está pronta para tentar e realizar. Além disso, diga ao seu filho 'Você pode escolher entre banana ou maçã. Qual você prefere?'. Dar a chance de escolher vai fazer com que a criança se sinta considerada e respeitada", sugere Marina.

Independência

Para que uma criança se torne independente, os pais não devem fazer por ela aquilo que ela é capaz de fazer sozinha. "Os pais, hoje em dia, muitas vezes fazem o que podem pelos filhos e, com isso, acabam educando os filhos apenas para receberem e não para realizarem. É necessário criar oportunidades de crescimento para eles. A criança e, mais tarde, o adulto, não se tornará independente se sempre houver alguém por perto fazendo tudo por ela", alerta Fabiane.

Colaboração

Geralmente, os pais costumam dizer aos filhos o que precisa ser feito ou até mesmo tomar decisões por eles. O ideal é envolver a criança, de modo que ela se sinta parte do que está acontecendo ou sendo decidido. Isso fará com que a criança assuma uma postura colaborativa, dando a ela a oportunidade de exercer o poder de escolha ou sentir-se útil. "Compartilhar com eles a responsabilidade por uma tarefa ou decisão ajuda muito na construção da autoestima das crianças. Elas se sentem capazes, e isso faz toda a diferença", afirma Marina.

Gentileza

Como estão em processo de aprendizagem e frequentemente estão realizando tarefas pela primeira vez, é normal que as crianças cometam erros ou provoquem pequenos incidentes ao tentar fazer algo por si mesmas. Nessas situações, é muito importante que o adulto seja gentil ao corrigir ou resolver o problema. Demonstrar irritação ou brigar com a criança inibe a vontade de tentar novamente. "Precisamos ter muito cuidado com as críticas. A criança precisa entender que errar faz parte do processo, e ela deve ser apoiada nesse momento para que continue disposta a tentar novamente", finaliza Fabiane.

Marina Tissot e Fabiane Karen Marques são convidadas do 15.º episódio da temporada “Conexões”, do Posicast, um podcast produzido pelos colégios do Grupo Positivo. O tema deste episódio é Autonomia na primeira infância: como, quando e por quê? Todos os episódios estão disponíveis no YouTube do colégio (https://www.youtube.com/@colegiopositivo).

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